
Ney Leprevost tem o DNA de um político maiúsculo, parte herdada do avô, que foi prefeito de Curitiba. Uma passagem de Ney, na adolescência, pelo rádio, aguçou no hoje secretário de Família, Trabalho e Justiça (SEJU), seu olhar para realidades e clamores que movimentam a opinião pública. E o bom político, homem público nato, tem que saber escutar as vozes das ruas…

É dentro dessa realidade que Ney Leprevost – conforme ele me comunica em breve nota – deu curto prazo a sua equipe, 60 dias, para que apresente conclusões sobre direitos que têm as pessoas que foram torturadas no histórico “Caso Evandro”. O documentário feito pela Rede Globo deixou-o estarrecido. Mas quer ir muito além disso, quer ajudar a fazer justiça aos humilhados do “Caso Evandro”.
Ney tem autoridade, como titular da SEJU, para oferecer ao governador os resultados da apuração do crime, trabalho em realização pelo Departamento de Direitos Fundamentais da SEJU. Muito além de ser um gesto que possa gerar dividendos políticos, o secretário não foge à “procura desse tempo perdido”. Assim age bem ao contrário dos dirigentes do Paraná da época das torturas, que empurraram o crime por debaixo do tapete.

E fizeram isso com o maior cinismo, falando sempre como “defensores dos direito humanos, instalados que estavam no Governo. Ney, dono de claro espírito cristão, sabe no que está apostando e conhece também o “animus” do governador Ratinho Junior.
NB: Por dever de justiça, quero lembrar que a mãe e filha da família Abbage, torturadas por policiais envolvidos no “Caso Evandro”, tiveram duas vozes potentes a defendê-las na ocasião: Dom Pedro Fedalto, arcebispo hoje emérito, e o “santo da Vila N.S. da Luz”, o capuchinho frei Miguel Botacin. Mas nem eles conseguiram justiça, fato que agora, pelo bom jornalismo, começamos a ver com clareza.

