
É uma questão de “precaução, pois ninguém sabe o que o futuro nos reserva”,
diz um vereador da base de Greca.
Há uma atitude do secretário municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento, Vitor Puppi, que tem chamado muito atenção da servidora Dona Matilde da Luz. Ao contrário dos outros secretários e gestores que gostam de aparecer quando assinam convênio, parcerias ou fazem repasses financeiros, Puppi busca ser discreto e, com frequência, evita assinar documentos que possam ser questionados no futuro. Foge de possíveis futuras encrencas, em outras palavras.
COM O EBANX
Um exemplo disto foi a parceria firmada, no último dia 24, entre a Prefeitura de Curitiba e a empresa Ebanx Pagamentos. Em tese, essa ação vai ajudar a modular uma nova forma de emissão de notas fiscais, com objetivo de modernizar o sistema de Curitiba. O Termo e Acordo de Regime Especial de Emissão de Notas Fiscais Eletrônicas traz em si toda a simbologia de inovação e modernidade, afinal envolve a startup mais famosa do Brasil, considerada a primeira empresa-unicórnio de Curitiba (startup de alta tecnologia que supera a marca de R$ 1 bilhão).

“SEMPRE DÁ UM JEITO”
Mas a parceria foi assinada pelo Diretor do Departamento de Rendas Mobiliárias, Adriano de Andrade Manzeppe. Dona Matilde da Luz até conversou com um vereador da oposição para contar a sua hipótese. Ela levantou que Puppi sempre dá um jeito de não assinar documentos que podem no futuro serem contestados pelo Ministério Público, por possível irregularidade ou falha que implique em devolução de recursos.
SÓ DEPOIS DO ALCAIDE
Quando Puppi liberou os recursos emergenciais para ajudar em quase R$ 120 milhões o transporte público durante a pandemia, o secretário o fez somente depois de autorização feita pelo próprio prefeito, Rafael Greca.
Puppi poderia ser o responsável por esta medida, mas pôs a responsabilidade no colo do alcaide, tendo o apoio incondicional. Talvez por ser um procurador do Estado e discípulo do ex-secretário estadual da Fazenda da gestão de Beto Richa, Mauro Ricardo, Puppi aprendeu como o mundo de represálias futuras pode ser perigoso. Por isto, o secretário municipal das Finanças prefere transferir responsabilidade ao administrar os mais de R$ 9 bilhões do orçamento de Curitiba.
Dona Matilde aposta que enquanto puder repassar a responsabilidade, Puppi vai encaminhar os problemas para o prefeito, para o secretário de Governo Municipal, Luiz Fernando Jamur, ou para os superintendentes da Secretaria de Finanças.
