
A revista IDEIAS, de Fábio Campana, edição de outubro, chega às bancas com matérias imperdíveis. Uma delas, a da foto da capa, trata de chamada “Contabilidade Celeste”, um amplo e bem apoiado ensaio sobre como o denominado mercado religioso brasileiro vai se comportando diante da disputa por espaços entre católicos e evangélicos.
E revela, a partir de declarações de respeitáveis ‘scholars’ especializados em Ciência da Religião, que os evangélicos já não mais crescem impressionantemente como ocorreu nas décadas 80 a 2000.
O artigo conclui, com base em estatísticas de trânsito religioso, de adesões a novas denominações e da chamada “desigrejação” (neologismo para indicar os que não mais pertencem a igrejas, que os evangélicos nas próximas duas décadas terão apenas crescimento vegetativo.
UFANISMO
Um dos nomes mais acatados que opinam sobre o assunto é o professor universitário (hoje dando aulas no Canadá) Paul Freston, amplamente conhecido nos meios evangélicos brasileiros. Ele acha que houve muito ufanismo, exagero dos que proclamaram que o “Brasil é do Senhor Jesus”, com isso querendo dizer que os evangélicos já teriam o domínio da opção religiosa dos brasileiros.
Gedeon Alencar é outro “scholar” muito considerado na análise do fenômeno religioso (“Protestantismo Tupiniquins – Hipótese sobre (a não) contribuição evangélica à Cultura Brasileira” – Arte Editorial). Para ele (que é evangélico), a versão de que o Brasil será em poucos anos uma nação evangélica “é uma mistura de ufanismo inconsequente com ignorância deslumbrada. ”
PEQUENA QUEDA
E ainda registra IDEIAS que Gedeon, em análise impecável, depois de citar que os católicos eram 123,3 milhões da população em 2010, 64% dos brasileiros, assinala:
– Vale lembrar que a queda percentual do catolicismo entre 2000 e 2010 foi de apenas 1,3%. A conta se fecha quando se inclui na equação o número de espiritualistas – 3,8 milhões; os 600 mil seguidores do candomblé e outras crenças afro-brasileiras; os 5,1 milhões de adeptos de outras religiões, e o crescente segmento dos ateus, agnósticos e do segmento denominado “sem religião”, cujo número já beira 15,5 milhões…
MÁRCIA DE VOLTA
Enfim, o leitor anote: IDEIAS de outubro apresenta ainda Márcia Toccafondo, que volta a assinar páginas de vida social; Lauro Vieira faz imersão profunda nos pacotes fiscais do governo Beto Richa; e Gilmar Mendes Lourenço escreve oportuno diagnóstico sobre o desemprego no país.
A editoração da revista está a cargo de Dédalo Neves.
Não tenho dúvidas em classificar a publicação como diferenciada pelo conteúdo editorial, em que temas da atualidade estão bem colocados graficamente ao lado de ensaios de qualidade assinados por gente como Luiz Geraldo Mazza, Ilana Lerner, Edmilson Fabbri, Dédalo Neves e o próprio Campana, dentre outros.

