
Deve-se esperar desses “renascidos ”novas e surpreendentes posições éticas, como o respeito a adversários?
Duas notícias recentes envolvendo Roberto Jefferson e Wilson Witzel, o ex-governador do Rio de Janeiro, chamam a atenção de todos os que têm curiosidade intelectual, e procuram enxergar os fatos muito além das letras com que estão registrados. Especialmente os de natureza espirituais.
Tal como ocorre, quando se fica sabendo que o dono nacional do PTB, ex-deputado Roberto Jefferson, cujas delações de corrupção deram início ao combate ao Mensalão pelo PMF e STF (e o condenaram à cadeia por corrupção), informa que esteve muito ocupado nos últimos dias. Tudo porque estava cuidando de sua conversão à Assembleia de Deus (na verdade, sem especificar qual delas; talvez a do Silas Malafaia).
Já Wilson Witzel anunciou sua conversão e batismo – ou adesão – a uma denominação evangélica nos dias que antecederam sua condenação pelo tribunal especial que julgou sua ficha suja na breve condução do governo do Rio. Estava nos limites de tensão e fragilizado, disse.
Qualquer estudioso do fenômeno religioso, tema para cogitações acadêmicas na linha da Sociologia, Etnografia e Ciência da Religião, sem excluir a Psicologia – terá sempre que examinar com lupa tais “renascimentos”. Ou como os americanos denominam essas adesões ao cristianismo, como atos de “Born Again” .
Como cristão, acredito em conversões, mas procurou entender suas motivações, se honesta procura do sagrado; ou caminho para “blindagem” pessoal em face de situações constrangedoras que a nova grei pode propiciar.

A ONDA “BORN AGAIN”
Longe de mim julgar os passos espirituais de Jefferson, cuja capacidade de manter rancores e vendetas sempre foi enorme. Espero que ele sepulte, como “Born again” verdadeiro, as marcas que o identificaram até agora, nesta hora especial em que adere também ao presidente da República, cujos maiores apoiadores são crentes evangélicos.
Coincidência nessa adesão? “O que se espera é que o renascido Jefferson, sob novo compromisso ético e moral, elimine sua enorme capacidade de combater adversários de seu próprio quintal”, diz à coluna um deputado federal do Paraná, pedindo anonimato. Mas pede que se registre: “Será que com a conversão Roberto Jefferson vai sepultar as decisões nefastas que teve em diretórios do PTB, como a eliminação de Alex Canziani do comando da sigla, no PR, fruto de pura perseguição?”.

CHEIRO DE OPORTUNIDADE
O que se sabe é que a exclusão se deu porque Canziani não bateu continência ao novo líder de Roberto Jefferson. De qualquer forma, há um cheiro de “oportunidades religiosas na decisão. Fato que ninguém de bom senso desconhecerá. Vivem-se no Brasil tempos em que a “velha” Igreja Católica não mais faz alianças políticas. Pelo menos essa orientação da CNBB tem sido cumprida.
E os novos atores no teatro do sagrado são as milhares de macro e micro igrejas que se espalham pelo país. Cada uma delas vistas pelo mundo político como um repositório de votos. O que, em parte, o são. Um sacerdote da Cúria de Curitiba, sem querer citar nomes locais, saiu-se com esta, quando o site lhe indagou sobre como encara esses “renascidos”: – Só acredito em conversões se tiverem um mínimo de semelhanças com as de Agostinho e Paulo, o Apóstolo…
