
Pesquisa nacional encomendada por grupo de comunicação do Paraná e Santa Catarina ouviu 2.000 pessoas em todo o país O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 36,8% das intenções de voto contra 26,8% do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), caso as eleições fossem realizadas hoje. O petista também venceria em um eventual segundo turno com 51,4% diante de 31,5% do atual presidente.
Jair Bolsonaro é o que possui o maior índice de rejeição, com 52,2%, Lula aparece em segundo com 28,2%. Os dados fazem parte de pesquisa realizada pelo instituto Mapa, de Florianópolis, contratada pelos grupos de comunicação ND, de Santa Catarina, e RIC, do Paraná, que ouviu 2.000 pessoas por telefone, em todas as regiões do país, entre os dias 18 e 20 de maio. A pesquisa tem margem de erro de 2,2% e índice de confiabilidade de 95%.
MOVIMENTO 2022
A 500 dias das eleições, a pesquisa faz parte do movimento “Brasil: 2022 já começou”, lançado em parceria pelo pelos dois grupos de mídia regional com o objetivo de enriquecer o debate sobre os rumos do país. Em conjunto, os grupos ND e RIC divulgaram hoje (24) o manifesto “Que país queremos? ”, alertando que os eleitores devem focar nos planos e visão de cada um e não apenas nos nomes dos candidatos. O movimento será sustentado por inúmeras ações por meio de seus canais de televisão, portais de notícias on-line, revistas, emissoras de rádio e jornal impresso.
POLARIZAÇÃO
Retratando a atual polarização eleitoral nacional, os possíveis adversários de Bolsonaro e Lula na eleição de 2020 obtiveram citações distantes dos líderes: Sérgio Moro (5,1%), Ciro Gomes (5%), Luciano Huck (4,5%), João Doria (3,3%), Luiz Mandetta (2,7%) e João Amoêdo 2,6%. Manifestaram-se por branco/nulo/nenhum 5,1% e os que não opinaram ou indecisos 8,4%. O ex-presidente Lula está à frente em três das cinco regiões do país. O petista lidera no Norte (47,2%), Nordeste (44,8%) e Sudeste (34,6%), as duas últimas são os maiores colégios eleitorais do país. O presidente Bolsonaro tem maioria do eleitorado no Centro-Oeste (33,1%) e no Sul (31,5).
“GOVERNO RUIM”
Pela pesquisa, a maioria dos brasileiros avalia de forma negativa a gestão do presidente Bolsonaro. Para 55% dos entrevistados, o governo é ruim e péssimo, enquanto 28,7% se manifestam positivamente, considerando o governo ótimo e bom. A atuação de Bolsonaro frente à pandemia do Covid-19 também foi reprovada. Na avaliação de 57,5%, a atuação foi ruim e péssima. Apenas 25% consideraram ótima e boa e 15,1% dos pesquisados classificaram o combate ao vírus regular. Não souberam opinar 2,5%.
Bolsonaro na frente no PR e SC
Ainda sobre as intenções de votos à Presidência da República, o Instituto Mapa fez uma amostragem com apenas entrevistados em Santa Catarina e Paraná. Foram ouvidos 812 eleitores, em cada Estado, entre os dias 18 e 20 de maio. O índice de confiabilidade da pesquisa é de 95%, com margem de erro de 3,4% para o resultado geral. No levantamento estadual o presidente Bolsonaro lidera tanto entre os eleitores catarinenses (44,5%), quanto no eleitorado paranaense (35,8%). O ex-presidente Lula aparece em segundo lugar nas duas pesquisas. Em SC, o petista tem 22,3% das intenções de voto, enquanto no PR, atingiu a preferência de 26,4%.
A novidade no Paraná é o ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro, em terceiro lugar, com 11,1% das intenções de voto. Em caso de segundo turno eleitoral, o catarinense elegeria Jair Bolsonaro com 52% dos votos, e Lula da Silva ficaria com 31,8%. No Paraná, o atual presidente venceria com 45,3% dos votos contra 36,7% de Lula da Silva.
Quem é o Instituto Mapa
Fundado há 30 anos, em Florianópolis, o Instituto Mapa é referência no Sul do país, com uma expressiva carteira de clientes nas áreas de comércio, serviços e veículos de comunicação. É associado à ABEP – Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa e filiado ao CONRE – Conselho Regional de Estatística. Em 2020, pesquisa boca de urna, por meio de ligações automatizadas, resultando em alta assertividade dos resultados, comprovada pelas urnas em Florianópolis, Joinville e Blumenau.
O que pensa o grupo RIC: como evitar a volta do “ex-presidente/ex-presidiário”

Nós sabemos que parece distante, mas a discussão sobre qual Brasil e qual futuro desejamos para nós e para as próximas gerações não acontecerá no futuro. Está acontecendo e sendo construída agora.
O amanhã se faz hoje e o que estamos vivendo é o prenúncio de uma situação caótica. O país começa a viver à mercê da volta do candidato suspeito de ter participado do maior esquema de corrupção já mapeado na história e, ao mesmo tempo, um governo democraticamente eleito com um forte projeto de reformas e reorganização administrativa, não consegue avançar parte por incompetência, mas também pelos conchavos e fisiologismo que é a marca da política brasileira.
Nós acreditamos que a gestão da pandemia está muito aquém do que o povo brasileiro e paranaense deseja ou necessita. Os dados da última pesquisa Grupo RIC/Grupo ND e Instituto MAPA demonstram isso. No Paraná, mais de 44% dos cidadãos reprovam como o presidente lida com a pandemia. Já 33,5% consideram que o presidente geriu bem. Já no Brasil, 57,5% avaliam como ruim ou péssima a gestão do governo Bolsonaro para a pandemia.
O governo Bolsonaro já esteve melhor avaliado quando o assunto é a gestão do Brasil. É claro que essa avaliação é motivada pela crise da Covid-19. E o governo precisa ser avaliado e responsabilizado por seus erros e acertos – bem como governadores e prefeitos. Lembramos, ainda, que as pesquisas são reflexos do momento. O Brasil tem “segurado a barra” fortemente. Nossos resultados econômicos poderiam ser muito piores se não tivéssemos tido o maior programa de distribuição de renda da história da humanidade e se não tivéssemos tomado medidas de ajuda ao setor produtivo e de serviços. Nosso país não está bem, sabemos disso. No entanto, os esforços necessários estão sendo feitos e poderiam ser ainda mais expressivos se houvesse uma preocupação de toda a classe política com o povo e não com os seus interesses privados.
E é nesse cenário que avança sorrateiramente o projeto de voltar ao poder um grupo político que sugou a esperança e o cofre de grandes empresas brasileiras. Um punhado de gente que aparelhou o estado com milhares de pessoas que, somada à burocracia estatal, piora a situação de gestão do país. Recebemos com um sinal vermelho o crescimento de intenção de voto no candidato “ex-presidente/ex-presidiário”.
Aqui, é necessário fazer um parênteses para reforçar a nossa crença na democracia, no pleito eleitoral brasileiro, na independência dos poderes, na necessidade de partidos políticos e na renovação e alternância de poder.
A volta do candidato “ex-presidente/ex-presidiário” é um sinal de que falhamos como sociedade, falhamos ao voltar para o velho “rouba, mas faz”. Bem como falha esse governo que não consegue agir e mudar, mesmo diante de dezenas de pesquisas que mostram claramente que o país não está avaliando bem a gestão atual. Se, no futuro, se consolidar o cenário da pesquisa do Grupo RIC/Grupo ND e do Instituto MAPA, que mostra o já anunciado candidato Lula faturando a eleição com mais 51% dos votos, será a prova triste e conclusiva de que esse governo não só errou, mas foi tolo, pois perdeu a chance de fazer a diferença na vida dos brasileiros.
Existe tempo para mudar, para ajustar a rota. É hora do próprio Bolsonaro reemitir a sua carta de compromissos, fazer uma revisão crítica do seu governo e traçar uma linha de retidão e de compromisso com os valores que o povo brasileiro ainda guarda. É fundamental que o presidente volte com força ao seu projeto de reforma administrativa e tributária, de desburocratização do estado, de fortalecimento dos poderes, da crença na democracia, de ter ministros técnicos e não ideológicos. Está na hora do próprio governo Bolsonaro se reorganizar durante o próprio governo. Este é o momento. Depois, será tarde.
E ainda é preciso dizer que, se mesmo com todas as sinalizações, esse governo não tomar prumo e ordem, parte da população brasileira não se curvará ao passado, mas olhará para frente. Isso está claro na pesquisa Grupo RIC/Grupo ND e do Instituto Mapa, em que 29% dos eleitores desejam uma outra opção de candidato, 17,8% declaram-se como anti-bolsonaristas, 11,9% declaram-se antipetistas acima de tudo e 20% ainda estão avaliando. Esses números reforçam a tese de que, se o presidente Bolsonaro não tomar jeito com o seu governo, uma terceira via pode ser construída em um projeto nacional de não retroceder ao passado.
Qual caminho o Brasil seguirá só descobriremos com o avanço dos meses e com ações futuras dos possíveis candidatos. Assim, entenderemos se viveremos governados por suspeitos de corrupção, por negacionistas, por algum aventureiro ou por um político de fato.
Isso é o que pensa o Grupo RIC.
