segunda-feira, 10 agosto, 2026
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Nacionais: caserna constrangida

Eduardo Pazuello

(Revista Crusoé)

A ida do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, sem máscara, ao ato em apoio a Jair Bolsonaro no Rio no domingo, 23, constrangeu o Exército. Integrantes do Alto Comando do Exército viram no gesto de Pazuello, que chegou a subir num carro de som ao lado do presidente, uma transgressão a regras da caserna e aumentaram a pressão para que ele vá para a reserva – o entendimento de que o general havia perdido as condições para permanecer na ativa vinha desde o período em que ele era ministro. O regulamento disciplinar do Exército proíbe a participação de militares da ativa em atos políticos, como o de domingo no Rio. Uma punição deve ser anunciada no início desta semana pelo comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.

2 – A posse de Lasso no Equador.

O banqueiro Guillermo Lasso toma posse nesta segunda-feira, 24, como presidente do Equador. A celebração acontecerá na cidade de Quito e contará com a presença de Jair Bolsonaro. A vitória de Lasso no segundo turno, em abril, foi um alento para a direita no continente, depois de a esquerda vencer as eleições na Argentina, em 2019, e na Bolívia, em 2020. Lasso levou a melhor porque se colocou como o candidato contrário ao bolivarianismo, uma vez que seu rival Andrés Arauz era apoiado pelo ex-presidente Rafael Correa. Para a posse, o Equador não convidou o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Quem deve comparecer é Juan Guaidó, o presidente interino. Apesar de ocuparem o mesmo espectro político, há importantes diferenças entre Lasso e Jair Bolsonaro.

3 – A “inanição” do Dnocs.

O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, o Dnocs, autarquia entregue ao Progressistas no ano passado para garantir o apoio do Centrão ao governo Jair Bolsonaro, tem “problemas nos processos licitatórios” e está “em estado de inanição administrativa” , segundo uma auditoria da Controladoria-Geral da União, a CGU. O levantamento, concluído na semana passada, analisou dados coletados em 2019. No primeiro ano do governo Bolsonaro, a autarquia ainda não estava sob o comando do Progressistas, mas já havia sido entregue ao Centrão — de 2019 a maio do ano passado, ela foi chefiada por um político indicado pelo Solidariedade.

4 – O que prevê a reforma eleitoral “silenciosa”.

Enquanto a Câmara discute abertamente e com alarde propostas sobre o voto impresso e o sistema de escolha de deputados, o grupo de trabalho criado por Arthur Lira no início do ano para modificar a legislação eleitoral segue trabalhando em silêncio. O relatório da deputada Margarete Coelho, do Progressistas do Piauí, aliada de primeira hora de Lira e Ciro Nogueira, deve ser examinado já nas próximas semanas. Dentre as propostas que estão previstas para ser incluídas no texto final está a criação de uma espécie de “pré-registro” de candidatos. A medida regulamentaria a figura do “pré-candidato”, criado pela reforma eleitoral de 2015, que permitiu a políticos a realização da chamada “pré-campanha”. A intenção dos parlamentares é definir regras claras sobre o que pode e o que não pode no período que antecede a campanha. Os deputados planejam uma lei mais permissiva para os aspirantes a candidatos.

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