Declarações estapafúrdias e desrespeitosas do deputado federal Giovani Cherini, do PL do Rio Grande do Sul, feitas durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara nesta segunda-feira, 17, geraram o repúdio de especialistas, que rechaçaram o posicionamento negacionista e anticientífico do parlamentar. Cherini associou o agravamento do quadro de saúde de Bruno Covas, morto no domingo, ao uso de máscara.
A associação ao caso de Covas superou até os padrões elásticos de Jair Bolsonaro — para desqualificar o isolamento social e os equipamentos de proteção contra a Covid, o presidente já falou os maiores absurdos, mas ainda não chegou a esse ponto. “Fui colega dele (Covas) na Câmara, a máscara que ele usou durante toda a campanha pode ter prejudicado o câncer que ele teve, porque as células precisam de respiração, isso é ciência”, disse o deputado do Rio Grande do Sul.
A manifestação de Cherini ocorreu após um bate-boca entre a presidente da CCJ, Bia Kicis, do PSL, que permaneceu boa parte da sessão sem máscara, e a deputada federal Fernanda Melchionna. A parlamentar do PSol cobrou de Kicis a utilização do equipamento de proteção individual, cujo uso é obrigatório dentro da Câmara dos Deputados.
2 – A reação dos governadores.
Os pedidos de informações endereçados a estados suscitaram questionamentos à CPI da Covid. Em uma carta enviada ao presidente da comissão, Omar Aziz, o Fórum Nacional de Governadores, comandado pelo petista Wellington Dias, menciona a abrangência dos requerimentos e indaga quais trechos devem ser respondidos.
O ofício foi remetido ao senador após a Consultoria Legislativa do Senado classificar como uma “devassa” um pedido de informações sugerido pelo governista Ciro Nogueira e aprovado pela CPI. No documento, o parlamentar requisita dados sobre a aplicação de todos os recursos federais transferidos aos 26 estados, ao Distrito Federal e aos municípios com até 200 mil habitantes para o combate ao coronavírus.
Na nota técnica, a Consultoria Legislativa ressalta que são passíveis de fiscalização apenas as transferências voluntárias do governo federal a estados e municípios. De acordo com o estudo, o requerimento de Ciro Nogueira “ pretende promover apuração genérica, abrangente, verdadeira devassa sobre os estados, Distrito Federal e municípios, circunstância que caracteriza ação abusiva, inconstitucional e ilegal da CPI, que desconsidera os precisos limites do fato determinado a ser apurado“.
3 – Integrantes da CPI sofrem ameaças.

Senadores independentes e da oposição que integram a CPI da Covid têm recebido ameaças por WhatsApp e e-mail devido à atuação na apuração sobre ações e omissões do governo Jair Bolsonaro na pandemia.
O presidente da comissão, Omar Aziz, do PSD, e o vice, Randolfe Rodrigues, da Rede, estão entre os alvos dos ataques. As ameaças a Aziz ocorrem “quase diariamente “, segundo pessoas próximas ao senador. Em situação similar a do colega, o parlamentar eleito pelo Amapá vai protocolar um requerimento na comissão para que Aziz acione a Polícia Federal e a Polícia do Senado para apurar e indiciar os responsáveis pelos ataques por obstrução aos trabalhos da CPI.
Protagonista da comissão, Renan Calheiros, do MDB, sofreu um bombardeio nas redes sociais antes mesmo da instalação da CPI, quando seu nome era aventado para a relatoria, e, por isso, chegou a se afastar do mundo digital por alguns dias. Hoje, a equipe do emedebista faz uso de um aplicativo que analisa o comportamento de robôs. A depender dos comentários direcionados a Renan, as publicações são denunciadas ou ignoradas. Mais adiante, o senador pretende tentar descobrir quem estaria por trás dos ataques.
(Revista Crusoé)
