
O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros, pretende usar o depoimento da ativista Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil, para reforçar a tese de que a negligência do presidente Jair Bolsonaro custou milhares de vidas que poderiam ter sido salvas — mais de 430 mil óbitos por coronavírus já foram registrados no Brasil.
Jurema liderou uma campanha para cobrar do governo brasileiro medidas para ampliar a proteção da população mais vulnerável à Covid-19, como moradores de favelas e presos. Em recentes entrevistas, a diretora da Anistia Internacional tem dito que o governo “mais sabotou” o combate à pandemia do que ajudou a contê-la. Jurema Werneck deve prestar depoimento à CPI no dia 24 de maio.
2 – Por que Lira pode dissolver outra comissão.
Os líderes partidários pressionam o presidente da Câmara, Arthur Lira, para prorrogar as discussões sobre o novo Código de Processo Penal. Os deputados temem que, faltando apenas cinco sessões para o encerramento dos trabalhos na comissão especial criada para debater o assunto, Lira dissolva o colegiado, como fez com a reforma tributária.
Em reunião da comissão na sexta-feira, 14, a deputada do Progressistas Margarete Coelho, braço direito de Lira para temas jurídicos, teceu uma série de críticas à metodologia adotada até agora pelos parlamentares durante a apreciação do novo Código de Processo Penal.
Os comentários foram vistos como uma sinalização de que o presidente da Câmara pode realmente enterrar o que foi feito até agora, nomeando um novo relator para reiniciar os trabalhos. Lira também seria contra vários pontos do relatório que está sendo elaborado pelo deputado João Campos, do Republicanos. Entre eles, o que limita o alcance da expressão “autoridade policial”.
Campos é delegado de polícia e defende que apenas policiais civis e federais possam ser enquadrados nesse conceito, que define quem pode atuar em investigações. Existe um lobby, entretanto, para que policiais militares também possam ter o poder de investigar.
O presidente da Câmara estaria sensível a essas pressões.
3 – Bolsonaro não se emenda.
A instalação da CPI da Covid no Senado não foi suficiente para alterar a postura negacionista de Jair Bolsonaro. O uso de máscaras no gabinete presidencial, por exemplo, continua sendo motivo de irritação para o presidente da República Há duas semanas, ao receber uma comitiva de prefeitos do Rio Grande do Sul, o presidente desestimulou um dos presentes a usar o equipamento de proteção facial. “Isso aí não funciona”, disse.
No encontro com a reitora da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, Ludimilla Carvalho Serafim de Oliveira, que esteve no Planalto no último dia 5, o presidente fez questão de posar para fotos ao lado dela e de mais seis pessoas sem máscara.
4 – Cuba aposta em vacinas sem eficácia atestada.
A ditadura de Cuba não importou vacinas e preferiu ficar de fora do consórcio Covax Facility, a aliança internacional ligada à ONU que busca ampliar o acesso a imunizantes contra a Covid-19. Com o aumento dos protestos contra a falta de um plano de vacinação, o regime anunciou que pretende imunizar todos os habitantes com mais de 60 anos com duas vacinas desenvolvidas localmente: a Abdala e a Soberana 2. As doses começaram a ser aplicadas na quarta-feira, 12. Contudo, não foram divulgados dados sobre a eficácia ou a segurança dos imunizantes oferecidos à população cubana. A Abdala concluiu a fase 3 dos testes clínicos no dia 1º de maio. A Soberana deve terminar esse processo neste final de semana.
(Revista Crtusoé)
