O substitutivo de Greca agora vem sem as multas inconcebíveis, que o projeto inicial previa para os que distribuem comida para os moradores de rua.
A mais contundente “bateção de cabeça” do prefeito de Curitiba, nos últimos anos, com repercussão na mídia nacional, foi o seu projeto 005 00 103/21, que trata da criação do programa Mesa Solidária. Aquilo que poderia denotar boas intenções, e até materializar maior apoio aos moradores de rua, acabou expondo uma pixotada de dimensões nacionais.
Isto porque o espírito autoritário do prefeito Greca de Macedo não se conteve: propôs, no documento encaminhado à apreciação da Câmara Municipal, multas de até R$ 550,00 a pessoas físicas ou organizações sociais que fossem encontradas dando comida aos chamados moradores de rua…
Num pais em que o salário mínimo é pouco mais de R$ mil reais, e com 15 milhões de desempregados, empresas quebrando, essa barbaridade clama aos céus. Tudo agravado pela barbaridade da multa em si.
A FALTA DE GG E MÔNICA
Não sei o que está acontecendo com o alcaide, mas posso levantar uma dúvida: será que seu braço direito, o advogado Giovani Gionédis, ainda está distante do prefeito, se recuperando de problemas de saúde? Na verdade, a ausência da jornalista Mônica Santana, que voltou para a iniciativa privada, igualmente deixou o espírito anárquico de Rafael Valdomiro correr solto, sem freios.
“Mônica e GG são, sabidamente, nomes que conseguem conter o mundo onírico e autoritário de Greca”, garante ao site/coluna, uma fonte da Procuradoria do Município de Curitiba. Para essa fonte, “ já a chamada primeira dama de Curitiba, ao contrário de apaziguar o “animus” do prefeito, ainda acaba por aplaudí-lo e “botar mais fogo na fogueira”.
O TIRA TEIMA
O tira teima está programado para acontecer dia 22 próximo, quinta-feira, daqui a dois dias, quando o substitutivo encaminhado pelo prefeito à Câmara, corrigindo falhas clamorosas da proposição inicial, vai a exame do plenário.
Indiara Barbosa
De qualquer forma, há que se louvar: toda esse mega “forfait” do prefeito acabou mostrando que, enfim, resta alguma autonomia na Câmara Municipal de Curitiba, sempre dócil na obediência aos interesses do prefeito Greca. A casa de alguma forma rebelou-se, e vai agora, com nova disposição, examinar o substitutivo que Greca lhe enviou dia 2, depois de ser ele pressionado pela gritaria nacional.
Vereador Marcio Barros
A repercussão negativa do projeto expôs a fragilidade da “Cidade Inteligente” que o alcaide proclama ser a encarnação. Por dever, sou obrigado a reconhecer que desse triste episódio podem sair soluções positivas. Algumas delas estão evidentes, quando vereadores surgem, altivos, mostrando-se atuantes representantes da comunidade.
Isso é o que o episódio acaba revelando, a partir das reações de Denian Couto, Dalton Borba, Márcio Barros, Carol Dartora, Renato Freitas e Indiara Barbosa…
Denian Couto (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)
Eles ganharam pontos definitivos como legisladores, capazes que foram capazes de acordar a maior parte da CMC de seu espírito de obsequioso acatamento ao alcaide. Se há males que vêm para bem, esse da tentativa de manipular a fome dos moradores de rua, foi exemplar.
Vereadora Carol Dartora
Até porque da Câmara de Curitiba tem de ser criteriosa no exame de propostas do Executivo, que não mais esconde priorizar apenas seu projeto eleitoral para 2022, seja o qual for.
Cirleide Silva
“UM PROJETO POLITIQUEIRO”
Cirleide Silva telefona ao blog, apresenta-se, e à entidade que preside, a Fetespar, Federação do Terceiro Setor do Paraná, entidade que se proclama apartidária, associação civil sem fins lucrativos; que exerce suas ações respaldadas no artigo Quinto da Constituição Federal de 1988.
A Festepar, explica Cirleide, faz a defesa judicial e extrajudicialmente, de temas do interesse de suas filiadas (“e de toda sociedade civil”) como moradia, educação, transporte de massa, direito de crianças e idosos, da assistência social e afins…Cirleide é uma voz que tenta ser ouvida pelos vereadores, particularmente no caso da Mesa Solidária. Fez contato com alguns deles, disse, mas “eles não se mostraram dispostos a discutir a Mesa Solidária”. A presidente da Fetespar manda ao blog um amplo arrazoado.
Nele me chamam atenção algumas da observações que Cirlei faz, como a proposta de Greca, no Mesa Solidária, de criar fundo para receber doações de empresas privadas – “mas boa parte delas está quebrada pela pandemia”, observa Cirleide.
E mais lamenta ainda que a mensagem de Greca crie um conselho Gestor “apenas com a participação de representantes do governo; ou seja, gestores públicos indicados pelo prefeito”.
A principal reivindicação de Fetespar é a criação de um conselho gestor para cuidar das medidas propostas péla Prefeitura, com poderes deliberativos – metade com indicações do Governo, a outra parte, com membros das organizações da sociedade civil.
IGNORA A FUNDAÇÃO
Com veemência, Cirlei Silva tem chamado atenção dos legisladores, que deverão apreciar o substituto da Prefeitura, para o fato de a proposta de do prefeito ignorar a existência da Fundação de Ação Social.
Lembra que as atribuições da denominada Mesa Solidária já são executadas pela Fundação, encarregada de implementar e executar políticas de ações sociais. Um exemplo citado por Cirleide, é o trabalho de Resgate Social da citada fundação.
Aguerrida, e sem papas na língua, Cirlei pede que este site registre: – Esse projeto da Mesa solidária, que pretende usar parte dos impostos recolhidos pelas empresas, na formação de seus fundos, não passa de pura ação politiqueira do Greca, que está nem aí para a pandemia.
Ele quer mesmo é controlar, de qualquer forma e sem muito desgaste, obras de organismos que têm forte histórico de apoio a ações sociais.