
Votos vencidos foram Kaio Nunes e o ministro Dias Toffoli
Para mim é tarefa difícil passar este final de semana sem lançar um olhar sobre o tema que mais movimentou os meios de comunicação e a opinião pública, nos últimos dias: a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre se os governadores e prefeitos têm ou não competência para determinar o fechamento das igrejas neste tempo de pandemia.
O assunto ganhou vulto a partir de decisão do mais novo membro do STF, Kaio Nunes, que, liminarmente decidira em favor da abertura dos templos, medida contraditada, em seguida, pelo ministro Gilmar Mendes, com posição amplamente oposta. Gilmar foi direto: “Rezem em casa”. Diante do Imbróglio, a solução foi o momentoso assunto i a plenário, o que se deu quinta-feira, 8, por 9 votos a favor do fechamento, 2 pela abertura das igrejas.
DOIS CATÓLICOS
Além de Kaio, um católico totalmente alinhado com o presidente da República, o qual votou a favor de as igrejas (de qualquer culto) estarem abertas na pandemia , assim também votou o ex-presidente do STF, Dias Toffoli, também católico.
Em Curitiba, quando falei com um padre de enorme currículo pastoral e acadêmico, professor universitário do Studium e da PPUC-PR, Joaquim Parron, PhD em Educação, ouvi uma resposta direta, teológica: – Sou a favor do fechamento dos templos, contra os cultos presenciais. Afinal, a vida precede a fé. Antes da fé, e para que essa se explicite, temos de lutar pela vida… é questão de Moral.
RIO DA PAZ
O pastor presbiteriano (Igreja Presbiteriana do Brasil), paróquia da Barra da Tijuca (por ele fundada), Antonio Carlos Costa, 59, presidente da ONG Rio de Paz, acha que defender cultos presenciais em tempos de pandemia “constitui infantilismo espiritual”.
A opinião desse reverendo altamente midiático, e mais ou menos alinhado às frentes da chamada Teologia da Libertação, sem bem entendo do assunto, é contraditada em Curitiba por um dos cabeças da Igreja Presbiteriana do Brasil, reverendo Juarez Marcondes, pastor principal da Igreja Presbiteriana Central, Rua Comendador Araujo.
Marcondes disse na semana a este blog, ser totalmente a favor da posição assumida pelo ministro Kaio Nunes, e que não vê razão para as igrejas ficarem fechadas. Lembrou a amplo papel que uma comunidade – como a sua, exemplificou – presta à comunidade abrangente. “Tomamos todos os cuidados”, garante Marcondes, para quem o gabinete pastoral e uma série de outras ações cristãs de acolhimento têm de levar-se em conta.
POLÊMICO
Antonio Carlos Costa – autor de vários livros, alguns deles polêmicos, como “Conversão Protestante” – ilustra seu ponto de vista citando o pr´[oprio Cristo, que na parábola do Bom Samaritano mostra, disse, “ a superioridade do culto prestado a Deus nas ruas. Isso se dá quando se atende ao próximo em suas necessidades”.
“Reverendo Marcondes pode contraditar o seu colega pastor, lembrando que ele é, de fato, hoje, o responsável em Curitiba, por uma das maiores obras sociais, o Hospital Universitário Evangélico e a Faculdade Evangélica”, diz professora da UFPR estudiosa de denominações evangélicas.

A FORÇA CALVINISTA
Tudo indica que o presidente Jair Bolsonaro indicará o atual advogado geral da União, André Mendonça, para o STF, em julho, na vaga que ocorrerá com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello. Com a entrada desse “tremendamente evangélico”, o bloco dos calvinistas se fortalecerá. No ministério da Educação está outro pastor presbiteriano, Milton Ribeiro, que pastoreia igreja em Santos.
