Especializada em temas jurídicos, a revista de Luiz Fernando de Queiroz garante a cada dois meses 5 mil exemplares que vão para todo o Brasil; a Top View , de Leonardo Petrelli, com alto padrão editorial e gráfico, atende a um público “A-A”, sofisticado., exigente.
Prosseguindo a série de observações que venho fazendo sobre as revistas impressas extintas do Paraná, e as que resistem à extinção, um olhar oportuno sobre a História da Imprensa paranaense, abordo hoje dois “fenômenos” de resistência à fúria digital: a revista Bonijuris, editada por Luiz Fernando de Queiroz, doublé de advogado, editor e empresário de multi -empreendimentos (mas discreto como ele só); e a Top View, sofisticada obra do raro dono empresário de comunicação (e jornalista por formação e direito de conquista), Leonardo Petrelli.
ESPÍRITO COMUNITÁRIO
Queiroz, 72, é catarinense, um curitibano há dezenas de anos. Nasceu com espírito de empreendedor em business e singular vocação comunitária. Com a esposa, Elin Talarek de Queiroz, ele estende suas ações em favor da sociedade a várias áreas de Curitiba. Uma de suas obras mais notáveis é a Associação de Condomínios Garantidos do Brasil (ACGB), mantida sem recursos públicos. Presta serviços comunitários gratuitos, com os chamados Zeladores de Vizinhança e Alpinistas Urbanos.

Não é difícil decifrar Luiz Fernando de Queiroz, afinal, o “estilo” é o homem, como já advertia Buffon. Pois esse LFQ é um incansável investidor em grandes lances, hoje nem sempre bem avaliados. Por exemplo, há poucos anos comprou centenas de alqueires em São Mateus, para plantar erva mate, com olhar voltado às raízes históricas de nossa economia…
O casal Queiroz/Elin faz trabalho suplementar ao da administração pública, despichando muros, pintando escolas e delegacias de policia, limpando prédios atingidos pela vandalização de grafiteiros. Os dois também se engajam em trabalhos de conscientização comunitária.
Tal como fizeram com as grandes campanhas que patrocinaram pela melhora das calçadas de Curitiba. Eram propostas concretas para eliminar as “armadilhas” que as calçadas já significavam à cidade. Hoje, apesar dos esforços, continuam calçadas-armadilhas.
MÍDIA IMPRESSA
A mim me chama atenção, de forma particular, a dedicação de Queiroz à mídia impressa. Ele faz de tudo para apoiá-la, embora a sua resistente revista Bonijuris – completando 33 anos de circulação – esteja a caminho de também entrar no mundo digital. Isso sem (jamais!) eliminar a edição impressa. Não conheço outra revista que resista à passagem do tempo quanto a da Bonijuris, no Paraná. Queiroz nunca procurou lucro com a Bonijuris. Sempre buscou pelo menos empatar com as despesas.
Por isso, inventivo como só ele, foi gerando um grupo de patrocinadores, assinantes e benfeitores que garantem, com importâncias de todos os portes, que a revista chegue às bancas do Direito de todo o Brasil com regularidade.
E essa regularidade significa entregar ao leitor material de qualidade, escolhido a dedo por Queiroz, a partir de seleção de colaboradores da academia, do mundo dos operadores do Direito, da magistratura, e da administração pública.
“DIGA-ME QUEM SEGUES…”
Tenho de confessar: sou leitor assíduo da Top View há anos. Não tenho nenhum particular interesse pelo mundo da aristocracia curitibana. Minha formação jornalística, que começou com a revista “Club”, de Dino Almeida, nos anos 1960, amplia meu interesse por essa tipo de publicação que Leonardo Petrelli entrega com assiduidade e qualidade editorial e gráfica.

A revista revela ângulos de Curitiba que vão passando despercebida pela mídia profissional, como regra. O que garanto é que Leonardo tem no sangue e na formação a alma de jornalista. Na verdade, não conheço outro dono de empresas de comunicação que possa, no Paraná, cotejar seu currículo com o de Petrelli.
Exagero meu? Não, apenas verdade, considerando que Leonardo estudou Jornalismo nos Estados Unidos e, depois, por anos, dirigiu programas jornalísticos na rede Globo, no Rio. Tem escola, realidade comprovada e ressaltada hoje pela alta audiência da sua Rede RIC, com rádios, televisões em todo Paraná, e a Top View.
COMPARATIVOS
Na Top View, apesar de à primeira vista ser tida como mera porta-voz da chamada aristocracia, o que se vê é vida vibrante e inteligente em todos os cantos em que se pretender examinar a publicação. Não vou citar nomes, afora um, o de Patrícia Tressoldi, Gerente de Conteúdo da revista. Não a conheço. Para mim a articulista vale pelo que raciocina e esclarece.

Patrícia coloca a inteligência aguçada à reflexão do leitor, num texto pedagógico, do qual nada se perde. Texto que bem pode ser uma aula magna de comunicação social num século tangido pelo “fantástico” das redes sociais e a categoria fluídica dos chamados influenciadores. Sutilmente é uma chicotada ética no milionário universo dos influencers, categoria que é a antítese do jornalismo profissional.
No exemplar que tenho em mãos, deste ano, aegro-me com o bom raciocínio que Patrícia apresenta, com enorme amor à lógica, desmascarando – sutilmente, claro – os que apregoam ter milhões de seguidores em suas redes sociais.
Vai ao calcanhar de Aquiles desse suspeito mundo dos influenciadores, a partir do título de seu texto: “Diga-me quem segue e lhe direi quem és”.
HOJE NÃO MAIS
Patrícia sabe das coisas, lembra que há cinco anos, ter milhões de seguidores era sinônimo de influência. “Em 2021 as coisas não são bem assim…” A articulista não põe por terra os chamados influencers, mas lembra que os influenciadores de poucos anos atrás foram se perdendo ao misturar matéria paga com opinião. Essa margem ética é o que exatamente separa jornalismo sério da picaretagem.
Patrícia não golpeia de morte os “digital influencers”, mas mostra-os como convertidos, agora, à verdade essencial: diz, que agora eles trabalham e disseminam conteúdo qualificado “e são firmes em suas convicções”.
O texto de Patrícia, por si só, reflete toda pauta editorial dessa revista que, definitivamente, não se resume em mostrar um mundo cor de rosa.
