terça-feira, 4 agosto, 2026
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BATALHÃO VERDE MULTA FAZENDEIRO QUE ATEOU FOGO EM ÁREA DO QUILOMBO

Deputado Goura

(Da assessoria de imprensa deputado Goura)

O Batalhão de Polícia Ambiental – Força Verde da Polícia Militar do Paraná realizou, na  terça-feira (2), uma operação de fiscalização e aplicou um auto de infração ambiental por uso de fogo, que destruiu uma área de cerca de dois hectares, ao fazendeiro vizinho ao Quilombo São João, em Adrianópolis, no Vale do Ribeira, na divisa com o estado de São Paulo. A multa aplicada foi de R$ 16,5 mil e a área foi embargada para que a vegetação se regenere.

A ação foi realizada A partir de uma solicitação do deputado estadual Goura (PDT), que recebeu a denúncia dos moradores da Comunidade Remanescente Quilombola (CRQ) São João, feita junto à Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) e ao comando do Batalhão de Polícia Ambiental – Força Verde, por meio de um requerimento protocolado na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

AÇÃO RÁPIDA

“A Força Verde agiu de imediato ao nosso pedido. Quero agradecer, também em nome dos moradores do Quilombo São João, pela ação efetiva que resultou na aplicação de um auto de infração por crime ambiental ao responsável por causar o incêndio que destruiu uma área considerável”, disse Goura. Ele explicou que a destruição da vegetação tem o objetivo de criar novas áreas de pastagens para os búfalos e bois que são criados naquela região.

“Os moradores dizem que esta é uma prática comum dos proprietários da região. Esses animais também destroem plantações e as nascentes dos córregos que abastecem a comunidade do quilombo. O fogo vem depois e transforma uma vegetação remanescente em pasto”, informou Goura. “É uma prática ilegal e em total desacordo com os padrões de manejo agropecuário que desrespeita as normas sociais e ambientais.”

PARQUE DAS LAURÁCEAS

O deputado disse que esse tipo de ação criminosa tem um agravante por ameaçar uma das mais importantes unidades de conservação do Paraná.

“Naquela região temos o Parque Estadual das Lauráceas. Nesta área do Vale do Ribeira temos aproximadamente 61% dos remanescentes de Mata Atlântica do Brasil, sendo a principal área contínua deste bioma no país. Esses crimes comprometem não só a biodiversidade, como também a sobrevivência dos povos tradicionais, como é o caso dos quilombolas do São João”, alertou Goura.

Barragens de Adrianópolis, PR

 

MUITOS INTERESSES…  

Para o comandante da Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam) da Força Verde, tenente André Felipe Pereira Kovalczyowski, que realizou a operação, a situação na região é complexa e envolve interesses diversos.

“Esse tipo de denúncia ocorre com certa frequência, mas principalmente por conta da invasão de gado nas áreas das comunidades quilombolas da região e do Parque Estadual das Lauráceas”, disse o tenente.

Segundo ele, a operação também tinha o objetivo de confirmar outro crime ambiental, o da contaminação e destruição da vegetação que protege as nascentes que abastecem de água o Quilombo São João. “Não conseguimos comprovar essa situação. Isso porque não encontramos vestígios. O fogo, que é usado para criar pastagens sem autorização, encobre tudo”, explicou Kovalczyowski. Segundo ele, a Força Verde faz patrulhas quinzenalmente na região do Vale do Ribeira.

Quilombolas denunciam

Isolados e invisibilizados, os quilombolas da parte paranaense do Vale do Ribeira denunciam que não têm os seus direitos garantidos e que não são alcançados devidamente pelas políticas públicas de Estado. “Não existimos pro poder público. A situação já foi um pouco melhor, mas piorou muito depois de 2016. Não temos nossos direitos reconhecidos e estamos em situação quase permanente de vulnerabilidade”, contou Léo Rosa dos Santos, uma das lideranças do CRQ Quilombo São João.

“Essa situação do gado invadindo nossas terras, destruindo as roças e contaminando a água já foi denunciada muitas vezes. Fomos na delegacia, na polícia militar, Ministério Público e Defensoria. Mas praticamente nada acontece. E continuamos tendo nossas terras ameaçadas”, denuncia Santos. Ele explica que a região não tem infraestrutura adequada, que o acesso é difícil e que a atividade econômica não movimenta a economia local e muitos não têm emprego e renda. “Tudo é muito precário.”

 

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