
Lembrando jingles inesquecíveis de Teresa Souza e Mercer para o Bamerindus, Eloi Zanetti, diz que os sintetizadores acabaram com os jingles.
Foi entre as décadas de 60 e 90 que a propaganda brasileira floresceu em criatividade – sozinha, a propaganda resolvia os problemas de marketing das empresas – era só anunciar que as vendas estavam feitas. Foram criadas nessa época grandes campanhas de televisão e rádio.
O Bamerindus ganhou o título de melhor anunciante de rádio da década de 70 tal o seu poder criativo na área. Jingles de Natal eram esperados. Fazer boas campanhas de Natal era obrigação das grandes marcas: a Mesbla fez o primeiro Natal brasileiro inserindo no comercial música, imagens, personagens e comidas típicas brasileiras; a Varig apresentou a sua inesquecível canção “Estrela das Américas num céu azul…” enquanto que o Banco Nacional emocionava o país com um coral de crianças cantando
“Quero ver você não chorar, não olhar pra trás, nem se arrepender do que faz” …
MENINO VEM POR AÍ
O Bamerindus em 1975 mostrou uma canção natalina com uma mulher, passeando em um parque com uma criança no colo e cantando “O menino vem por aí, vai renascer, traz nas mãos uma esperança, pois é Natal…” Este texto maravilhoso foi criação dos publicitários Sergio Mercer e Tereza de Souza, compositora que fazia os jingles do banco. A música é criação de Walter Santos, marido da Tereza – um casal de músicos, pioneiros da bossa nova que migraram do Rio para São Paulo e montaram o Nosso Studio, referência da música instrumental brasileira até hoje, pois ali se reuniam os melhores musicistas e cantores da época.
JOÃO GILBERTO, SEU ALUNO
Walter, baiano de Juazeiro, foi quem ensinou os primeiros acordes de violão a nada menos do que a João Gilberto. Ele contava, nas suas conversas com Eloi Zanetti, responsável pela propaganda do banco que o João Gilberto gostava de se trancar no banheiro para tocar violão. Dizia que as paredes azulejadas dos banheiros dava um som especial aos seus ouvidos.

O TEMPO VOA
O tempo passa, o tempo voa Muitos anos depois Eloi, ao conversar com uma das assistentes do apresentador de TV Goulart de Andrade ouviu dela: Ah! Você foi da propaganda do Bamerindus – eu sou aquele bebê no colo de uma moça no comercial de Natal de vocês. Instrumentos musicais eletrônicos mataram os bons jingles .
JINGLE BOM, UMA RARIDADE
Nessas décadas para se fazer um jingle chegava-se a utilizar uma orquestra inteira – maestros, arranjadores e músicos de primeira linha participavam das produções. Com a introdução dos sintetizadores e teclados eletrônicos, instrumentos capazes de gerar qualquer tipo de ritmo vieram substituir esses profissionais. O padrão caiu e hoje é raridade ouvir um jingle de boa qualidade no ar. Ommia Mutanter – tudo muda.
