
O advogado curitibano e seu sócio receberam US$ 3,9 milhões de doleiro Messer, prometendo pagar autoridades, mas embolsaram o dinheiro.
(por Chico Otávio, O Globo, 18-12)
RIO
Conhecido por representar réus que fizeram acordos de colaboração homologados pelo então juiz Sergio Moro, o criminalista Antônio Augusto de Figueiredo Basto e seu sócio, Luiz Gustavo Rodrigues Flores, foram denunciados por receber de 2006 a 2013 US$ 3,9 milhões (US$ 50.000 por mês, por 78 meses), cobrados de Dario Messer, o “doleiro dos doleiros”, como taxa de proteção.

MODUS PROPINA
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os dois advogados alegaram a Messer que o dinheiro serviria para pagar propina a autoridades, entre as quais o procurador regional da República Januário Paludo, em troca de garantias ao doleiro. Porém, segundo a denúncia, o dinheiro foi usado por Figueiredo Basto e o sócio em proveito próprio. A investigação inocentou Paludo.
LAVAGEM E QUADRILHA
Os dois advogados irão responder pelos crimes de exploração de prestígio e tráfico de influência qualificado, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. A apuração chegou ao doleiro Marco Antônio Cursini, cliente criminal dos advogados e também responsável por suas operações ilícitas de câmbio.
CONTA NO EXTERIOR
Em datas próximas aos pagamentos efetuados por Messer, Cursini recebia deles dinheiro em espécie e transferia recursos para uma conta dos advogados, mantida no exterior, em nome de empresa offshore de fachada, a Big Pluto Universal, “constituída com a única finalidade de distanciar os valores de sua origem ilícita (‘conta de passagem’, nas palavras do próprio Cursini)”, diz a denúncia.
