
Caro professor Aroldo,
O senhor me pede que escreva um breve depoimento sobre como vejo a crise da gerência da saúde em Curitiba em razão da pandemia. Como profissional da saúde, embora da privada, e não da pública, me sinto à vontade para falar sobre o tema, que, aliás, passa longe da saúde antes de chegar finalmente à saúde.
Resta saber como vamos sair desse pesadelo dessa Covid, que está sendo já tratada como a segunda onda. Isso é errôneo, pois sequer chegamos a sair da primeira onda.
Curitiba, ao contrário de outras capitais, abriu mão de ter instalado hospital de campanha, graças a arrogância do prefeito Rafael Valdomiro Greca de Macedo, que sempre afirmou da higidez e robustez do SUS curitibano, e da sua muito eficiente secretária de saúde, uma mera enfermeira da rede, funcionária de carreira da prefeitura, portanto apta a exercer sua cega vassalagem ao seu chefe-mor.
UM ZERO EM SAÚDE
Rafael Greca é um completo analfabeto no tema saúde pública. E se ao menos tivesse no seu staff médicos e especialistas, e menos de seus comissionados lhe palpitando o que fazer de fato, quem sabe o número de curitibanos mortos tivesse sido menor.
O passo inicial deveria ter sido a adoção do tratamento precoce já nos primeiros sintomas, o que tem ajudado a salvar milhares de vida onde foi realmente adotado.
DIZENDO BOBAGENS
Segundo o prefeito Rafael Greca, o protocolo de tratamento precoce não foi adotado, ‘por não existir comprovação científica de sua eficiência”. Mas mesmo assim, Greca foi correndo para os braços para o governador de São Paulo, João Dória, para comprar doses da vacina que ainda não tem comprovação científica e nem certificação da Anvisa.
QUANTO VAI CUSTAR
Greca não informa os valores destinados e essa negociação com Doria, que está pra lá de estranha, pois quem deve fornecer as vacinas é o governo federal, através do Ministério da Saúde.
Mas voltamos à situação da saúde curitibana, que, segundo consta, está no limite. O que se sabe é que se avolumam também denúncias de falta de equipamentos de proteção aos profissionais de linha de frente. Esses fatos ensejaram denúncia feita pelo deputado Goura, embasado em relatório elaborado pelo CRMPR.
“ROBUSTO SUS”
Então, esse é o “robusto SUS do prefeito Rafael Greca”, aquele que deixa pacientes morrerem em cima de macas, enquanto esperam por um leito de UTI e de um ventilador mecânico?
A verdade é que nove meses se passaram desde que a crise sanitária se instalou, tempo suficiente para a cidade se precaver em sua retaguarda, para atender o esperado aumento de casos. Não houve tempo e vontade para tanto: o prefeito precisava fazer política, exibir asfaltos, saracotear pela cidade vendendo “otmismo”. E fazendo ouvidos moucos às advertências de técnicos, parlamentares e jornalistas.
FESTEJOS CONTINUARAM
Alegando economia para o município, Greca não tomou as medidas que se mostravam vitais. Alegou até falta de dinheiro para a saúde. Ao mesmo tempo, suas exibições com o asfalto não pararam um único dia, além de festejos e bordejos natalinos, para os quais sempre sobraram recursos… “Panis et circensis”…
E vale ressaltar, que, ao mesmo tempo em que alegava falta de recursos para saúde, Greca destinava pelo menos R$ 200 milhões para os ônibus. E agora, mais R$ 150 milhões terão o mesmo endereço dos Gulins e associados. Isso é que é cidade quedá prioridade ao ser humano. Na propaganda oficial….
MUITO SURREAL
E algo surreal, o prefeito de Curitiba assegurar recursos que deveriam estar sendo investidos na saúde pública da cidade, terem sido direcionados a garantia da lucratividade das empresas de ônibus, garantia estendida até julho de 2021, conforme decidiram os vereadores em sessão na CMC de ontem (08/12/2020).
Fico imaginando como se sente o prefeito ao saber do número de mortos a cada dia, e que serão todos estes óbitos creditados em sua conta de responsabilidades. A história será o melhor juiz de Greca; a documentação de seu descalabro administrativo para com que os que realmente importam está à disposição de quem tem olhos para ver. Mais: não esquecer os desastrosos decretos de restrição impostos, sem critérios reais, que deveriam embasar quem alega conhecer a verdadeira realidade da cidade.
DECRETO ABSURDO
O último decreto do alcaide Greca de Macedo, colocou a cidade em nível amarelo. Mas com praticamente as regras do laranja. Como entender a ordem que mandou fechar supermercados nos domingos, mas fazendo-os lotar nos sábados e segundas-feiras? Só mesmo a cabeça de Greca e dos vassalos (e negociantes) que o cercam.
Sem falar que a cidade está com ônibus, terminais e estações tubos todas entupidas de passageiros. Mas a secretária Márcia Huçulak afirma não ter risco no transporte público… Então, até quando estaremos nas mãos de pessoas tão incompetentes ?
GRITINHOS DE “VIVA”
Depois não adianta vir em público dar gritinhos eufóricos de: “viva Curitiba”.
Quem ama Curitiba de verdade, não deveria praticar uma gestão de mortes, como o que estamos vendo agora. Curiosamente (tal como previsto por sua coluna, professor?) logo depois de findo o embate eleitoral que reelegeu o Greca, o caos “voltou”.
Leitor SCC, curitibano que vive e trabalha pela cidade. Acompanha a coluna no Face, no Portal da Banda B, no aroldomurá.com.br., e por newsletter.

