sexta-feira, 31 julho, 2026
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 “GÁS NATURAL NO PARANÁ ANDA NA CONTRAMÃO DA ECONOMIA SUSTENTÁVEL”, RECLAMAM INDUSTRIAIS 

Fazem ressalva: Compagas, limitada em sua ação, tem perfil técnico impecável.

Em 1994, quando foi outorgada a concessão para a Compagas para distribuir o gás natural canalizado no Estado do Paraná, a empresa se propôs junto as indústrias ofertar uma energia limpa e com custo baixo, atraindo diversos setores, que migraram em busca da eficiência e economia propagada, que dentre os seus valores de ética e responsabilidade, enalteceram a geração de valor para a sociedade.

Hoje a rede de distribuição de Gás no Paraná é extremamente reduzida limitando o volume consumido e as tarifas praticadas estão entre as maiores do Brasil. De outro lado, há indústrias em todas as regiões do Paraná que não tem acesso a gás canalizado e se veem prejudicadas na competitividade com indústrias concorrentes instaladas em outros estados e por isso impedidas de manter ou ampliar sua capacidade produtiva por falta deste componente fundamental que é o gás.

COMPETITIVIDADE

A limitação da estrutura de distribuição e as tarifas altas de gás natural implicam em perda de competitividade dos produtos produzidos pelas indústrias paranaenses, pois acabam impondo custos e preços mais altos que de produtos similares produzidos em outros estados, onde a estrutura de distribuição é maior e a tarifa de gás é menor.

Desta forma o Paraná acaba gerando uma política de desinvestimento, pois enfraquece as empresas que já operam no Estado e inviabiliza os investimentos na ampliação da capacidade de produção ou de novos projetos, levando a um verdadeiro círculo vicioso que provoca redução de consumo e de produção, redução de emprego e renda e, consequentemente, redução da arrecadação do Estado.

INCEPA

Segundo o diretor-presidente da Incepa Revestimentos Cerâmicos Ltda, Sergio Wuanden é necessário uma estrutura de distribuição mais ampla e uma tarifa menor de gás para provocar uma mudança neste cenário, com os produtos paranaenses ganhando mercado, empresas ampliando capacidade e viabilizando ampliação e instalação de novos projetos, impulsionando o PIB do estado e beneficiando toda população.

Ele cita o exemplo e diz que a tarifa de gás no Paraná é uma verdadeira âncora ao desenvolvimento do estado. Ao passo que o estado vizinho, Santa Catarina, mantém uma política de transparência que garante aos consumidores uma das tarifas mais baixas do país.

“A ausência de uma política que enxergue o gás como insumo essencial para a cadeia produtiva, repele investimentos e reduz a capacidade de geração de empregos. O gás é um insumo essencial e decisivo na instalação ou expansão da indústria”, comenta Wuanden.

Sergio Wuanden

SEGUNDO SINPACEL

Já o presidente do Sinpacel – Sindicato das Indústrias de Papel, Celulose e Pasta de Madeira para Papel, Papelão e de Artefatos de Papel e Papelão do Estado do Paraná, Rui Gerson Brandt, diz que o setor está bastante afetado com a tarifa alta do gás e que diante deste cenário, o Paraná abdica de um insumo importante para o seu desenvolvimento sustentável e estimula os investidores a buscarem outras regiões do Brasil, onde possam encontrar condições mais favoráveis.

“É preciso que o governo deixe de considerar a Compagas como uma fonte de caixa. O gás é um insumo estratégico e deve ser visto e tratado como tal.

Rui Gerson Brandt

K2K INOVAÇÃO  

O diretor da K2K Inovação e Gestão Ltda, Keizo Assahida, vê essa situação de forma desastrosa para o Paraná. Segundo ele, conforme os relatórios apresentados tanto por parte da Abrace – Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres como por parte da Abegas – Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado, o Brasil tem a maior tarifa do mundo e o Paraná a maior do Brasil, portanto a maior tarifa do Planeta. “Se a concessão for mantida nas atuais condições e os preços altos, o Paraná terá um problema sério no que se refere ao desenvolvimento das indústrias e de seus processos”, alerta o diretor.

Keizo Assahida. Foto: linkedin

CUSTO É O PROBLEMA

Para o gerente geral da Huhtamaki do Brasil Ltda, Daniel Winocur, O serviço da compagas é bom, tem continuidade. Sem reclamações técnicas. O problema é o custo do gás natural. “É importante dizer ao Governo do Estado que uma tarifa de gás natural competitiva internacionalmente é um grande incentivo para a radicação de indústrias e para a retenção delas no estado. Energia cara significa perda de empregos, renda e arrecadação fiscal para outras unidades da federação”, diz o gerente geral.

OFÍCIO CONJUNTO

Os sindicatos da Indústria do Papel, Celulose e Pasta de Madeira para Papel, Papelão e de Artefatos de Papel e Papelão do Estado do Paraná – Sinpacel; Sindicato da Indústria de Azeite e Óleos Alimentícios no Estado do Paraná – Sindioleos e o Sindicato das Indústrias de Vidros, Cristais, Espelhos, Cerâmica de Louça, Porcelanas, Pisos e Revestimentos Cerâmicos no Estado do Paraná – Sindilouça, entregaram um ofício conjunto a Companhia Paranaense de Gás-Compagas e a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná- AGEPAR, no intuito de receber informações e que sejam assegurados os direitos e garantias dos usuários/consumidores, uma vez que este serviço é público.

(Fonte: Túlio Bandeira, jornalista, Curitiba)

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