
Em entrevista à Bandnews, Cristiano Zerbini, coordenador da Pfizer e diretor do Centro Paulista de Investigação Clínica, afirmou que a necessidade de armazenamento do imunizante a baixas temperaturas não é um impeditivo para a distribuição de sua vacina no Brasil. Ele citou como exemplo a vacinação contra o ebola na África, região com menos estrutura que o Brasil, mesmo com o imunizante precisando ser armazenado a -80ºC.
Entretanto, nem todos os especialistas concordam que o esforço vale a pena. A epidemiologista Carla Domingues, que coordenou por dez anos o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, acredita que a vacina da Pfizer é inviável para o país. Além da refrigeração, há grandes desafios de transporte e seu custo é mais caro — a dose é estimada em R$ 106, contra R$ 56 da Coronavac e algo entre R$ 16 e R$ 22 do imunizante da Astrazeneca.
GIGANTESCA ESTRUTURA
Se fosse a única opção, como foi no caso do ebola, valeria a pena o investimento nestes refrigeradores, que são caríssimos, mas o Brasil já tem acordo com outras duas vacinas muito mais adequadas — destaca. — Não faz sentido criar uma estrutura gigantesca que depois terá pouco uso. Domingues, porém, defende que empresas e clínicas privadas incluam o imunizante em sua rede no futuro.
No resto do mundo a corrida pelos ultra-freezers parece com a dos respiradores. A Ford anunciou que vai produzir freezers ultra frios.
Muitos estados começaram, em agosto, uma corrida por estes equipamentos, que são vendidos nos EUA a cerca de US$ 20 mil cada um (R$ 108 mil). O Washington Post publicou reportagem indicando que, para ter uma cobertura vacinal da Pfizer em todo os EUA, seriam necessários cerca de 50 mil destes freezers.
