
Hermes Leão, que comanda o sindicato dos professores, é cobrado pois agora “se opõe a benefícios educacionais das tribos”.
“A família Leão, que é tradicional no Paraná, tem em sua raiz a origem indígena, vindo de D. Maria da Expectação Alvares, descendente direta de Diogo Alvares, o Caramuru. Os “Leões”, por tradição sempre respeitaram a sua origem, tratando com dignidade as comunidades indígenas. Mas parece que não é isto que acontece com o sindicato dos professores, sob comando de Hermes Leão”, reclamou hoje, 18, à Coluna, um líder indigenista ligado ao CIMI, que pede anonimato “por motivos óbvios”.
O CIMI, embora atuando timidamente no Paraná, e representando a linha “avançada” da CNBB, não fecha com a decisão do sindicato,segundo a mesma fonte observa.
Ainda segundo a fonte, “buscando confundir as comunidades indígenas, o sindicato dos professores colocou os caciques contra o governo de Ratinho Junior, em especial contra a gestão do secretário da Educação, Renato Feder. Os indígenas ocuparam a Secretaria de Educação entendendo que eles perderiam o direito de escolhas dos professores que trabalham nas aldeias.
CARTA DE ANUÊNCIA
Para que se entenda parte do embroglio montado pelos sindicalistas, observe-se:
Tradicionalmente os professores que trabalham em comunidades indígenas e quilombolas precisam receber uma carta de anuência. Caciques e líderes de quilombos entrevistam os professores e podem refutar aqueles indicados pela Secretaria de Educação.
Ocorre, segundo fontes ouvidas pela Coluna, que “o sindicato esteve com os caciques e as lideranças quilombolas confundindo os mesmos e falando que não poderiam escolher mais ninguém. Os indígenas abriram guerra contra o secretário da Educação e o governador”.
SECRETARIA REVALIDA
De concreto, o que se sabe é que na noite de terça, 17, depois de ocuparem a Secretaria de Educação, os índios obtiveram um documento, assinado pela direção da Secretaria da Educação, que revalida este acordo tradicional, mantendo a autonomia. A expectativa é que saiam da secretaria ainda hoje, dia 18, segundo fonte governamental.
PARA ENTENDER A OPOSIÇÃO
É novidade no Paraná aplicar uma prova no Processo Seletivo Simplificado (PSS). Apesar de já existir em outros estados, como a vizinha Santa Catarina, há muita resistência do sindicato; por isto, mobilizou os 20 mil professores contratados por PSS para impedir a prova.
Para o sindicato, escolha do professor deve ser apenas pela revalidação dos documentos de tempo de serviço e titulação dos candidatos. O problema é que este modelo, que vem sendo feito há diversos anos, tem demonstrado cansaço. Tem crescido o número de pais reclamando a qualidade do ensino e também de falhas de conhecimento dos professores.
Nos últimos 3 anos, as reclamações atingiram 10% do quadro de 47 mil professores. São críticas de professores sem vontade de dar aula, professores desatualizados, professores sem o conhecimento necessário.
PRIVILEGIADOS
“Ademais, há uma casta de professores privilegiados pelo PSS sem prova. São professores aposentados e professores que entraram nos primeiros PSS, que têm prioridade de escolher as melhores turmas das melhores escolas, no momento que se faz a distribuição de aulas. Por estarem mais bem ranqueados, estes professores escolhem aulas no colégio mais próximo de casa, nos horários que querem”, conforme explicação que a Coluna recolheu hoje de manhã com um suplente de deputado estadual.
SOBRAM MIGALHAS
Para esse mesmo suplente de deputado, da área educacional, “quem tem menos tempo de carreira, acaba tendo que se contentar com as migalhas.
Há casos de professores novatos que de manhã dão uma aula em um colégio de Quatro Barras, de tarde duas aulas em Contenda e termina o dia em Almirante Tamandaré. Tudo isto para conseguir fechar as contas do mês, mas, em especial, para garantir tempo de serviço. “
E observa mais adiante: “ Assim quando ficar velho dentro do PSS sem prova poderá ascender, quando um professor antigo morrer”.
QUEBRANDO CICLO
Para quebrar este ciclo, a Secretaria da Educação, segundo declara uma fonte de sua assessoria de comunicação, “criou o PSS com prova, que garante manter na rede aquele professor mais atualizado e também o mais esforçado. E traz mais justiça na escolha.”
Resumo: o que se nota é que o sindicato dos professores continua mobilizando para derrubar o processo, mas a realidade bate de frente. Já há mais de 12 mil inscritos e a prova cada vez se torna uma realidade.

