quarta-feira, 29 julho, 2026
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REPERCUTINDO: CANDIDATOS DEVERIAM LUTAR CONTRA DOCILIDADE DOS VEREADORES À PREFEITURA

Rafael Lopes – Ragulo, Alexandre Leprevost e José Maria Correia

Mostrar independência é questão de cidadania, obrigação de quem quer ser acatado e respeitado.

 

Chega a quase 39 mil o número de candidatos a vereador no Paraná. A prefeito, cerca de 1.400, segundo avaliação do MPPR. A luta está no nível do morno, especialmente em Curitiba, onde os candidatos – segundo se informa – seriam cerca de mil, em busca de 38 cadeiras na Câmara Municipal.

O que uma parte substantiva da Curitiba com olhar crítico repudia é a docilidade da Câmara com o Executivo – ao qual deveria fiscalizar. Na verdade, esse desvio de função não é coisa só dos tempos de Rafael Valdomiro Greca de Macedo. Vem de muitos anos, diria que desde os tempos de Ney Braga prefeito, me lembro. “A caneta de um prefeito tem poder. Tem poder”, brinca um vereador aliado de Greca, parafraseando um hino religioso.

GRECA SÓ APERFEIÇOOU

Na verdade, o atual alcaide apenas aperfeiçoou essa servidão à qual os legisladores municipais se submetem numa vassalagem inexplicável. A explicação para tal obediência aos interesses do prefeito e seu entourage tem várias vertentes. Uma delas, a enorme capacidade de barganha que Greca de Macedo demonstra, entregando cargos e altos salários a apaniguados dos vereadores. A cada dele está muito cheia, impostos aumentados no início do atual mandato podem explicar o “fenômeno”.

RACHADINHA DA VEREADORA

Quem não se lembra (o fato é recente) do guarda municipal em estado probatório, menos de 3 anos de funcionalismo, a quem Greca presenteou com um cargo de Gerente de Planejamento na Guarda Municipal de Curitiba? Essa generosidade teve só uma intenção – agradar à vereadora, aquela dita “defensora dos animais’, que foi pega em flagrante por maldades como a de promover as lamentáveis rachadinhas, a divisão obrigatória de salários de seus funcionários com ela.

E dizem os queixosos que tudo isso ocorria sob o olhar vigilante do guarda municipal-marido, esse com um revólver ostensivamente sobre a mesa da entrega do dinheiro extorquido aos funcionários.

Na verdade, a docilidade da Câmara tem de tudo, sempre em nome da “governabilidade” de Greca.

Professor Euler (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

TENDÊNCIA GOVERNISTA

Fraca, a atual oposição ao prefeito, não faz verão. É pequena, ressaltando-se nela poucos nomes, gente que não se entrega ao poder, como professor Euler, professora Josete, o vereador Dalton Rosa… Uma coisa parece certa, infelizmente: seja Greca reeleito ou não, a tendência do político (a) curitibano (a) é lamentável, sempre se abrigando nas “asas e cofres generosos da Prefeitura”, como registra um antigo vereador hoje recolhido ao seu bairro distante. Xaxim? Talvez.

 

Professora Josete (Foto: CMC)
Dalton Borba (Foto: CMC)

Então, lamentavelmente, seria o caso de dizer que o político curitibano reage de forma oposta ao dístico espanhol – “hay gobierno, soy contra”? O certo é que nossa herança política indica que assim tende a transcorrer a vida na Câmara.

ZÉ MARIA, RAGULO, FREDERICO, EULER…

Não tenho varinha mágica, e meus exercícios premonitórios muitas vezes me confundem. Apesar disso, tento citar alguns poucos nomes de candidatos que enfeixam as melhores qualificações pessoais para conseguir vaga à Câmara: Professor Euler, professora Josete e Dalton Borba, os três no exercício do mandato. E mais: Rafael Lopes – Ragulo (11 550),nova geração, radialista, o primeiro dos candidatos a não aceitar dinheiro do fundo eleitoral para sua campanha. Tem o forte apoio de Luiz Carlos Martins.

Rafael Lopes – Ragulo

Da safra de candidatos que estreiam na política, o PDT apresenta um quadro de expressão na área da segurança pública: Inspetor Frederico, que comandou com excelência a Guarda Municipal no governo Gustavo Fruet. Tem biografia, tem currículo e ficha limpíssima (maldades que lhe tentaram imputar são desmentidas pelo MPPR. Quem quiser, só consultar o órgão).

Flávia Francischini, bem articulada, ex-policial da Polícia Federal, quer também chegar ao Palácio Rio Branco. Tem bandeiras sólidas, como a defesa da mulher, segurança pública em Curitiba, e independência da Câmara Municipal. Ela tem sido peça essencial na campanha de Fernando Francischini, seu marido.

Flávia Francischini

Alexandre Leprevost, um jovem, tem eleitorado mais ou menos cativo, grande parte dele formado por admiradores de seu irmão e eleitor maior, o deputado e secretário Ney Leprevost. O moço é ficha limpa e tem vontade de exercer um mandato livre das benesses da Prefeitura.

Alexandre Leprevost,

JOSÉ MARIA CORREIA

José Maria Correia, que só agora, depois de artigo de Fábio Campana, fiquei sabendo que é candidato, é de uma geração de homens públicos com história muito positiva. Foi delegado geral da PC, prefeito de Matinhos, presidiu o ParanáPrevidência, foi vereador de alto nível. Foi projeto seu que permitiu a criação da Guarda Municipal de Curitiba, cuja importância dispensa explicações.

José Maria Correia

Intelectual, ele conhece cinema com profundidade crítica. Domina grande parte da história política de Curitiba. E sei, em função de minha profissão, que não poucas vezes José Maria teve de se envolver, como delegado, para salvar a pele do atual alcaide Greca de Macedo de situações complicadíssimas….

Conheci Zé Maria nos anos 1980, quando ele, pelo MDB, candidatava-se a vereador.Almir Feijó, um desses valores intelectuais escondidos pelo tempo, apresentou-me Zé Maria como “ Sérpico do Paraná”, aquele personagem policial de cinema, destemido e enfrentando injustiças. E assim o jornalista, posso testemunhar, deu a partida na carreira de um homem público ao qual Curitiba deve bastante e que quer voltar à Câmara.

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