
Por Mirticelli Medeiros (*)
O papa Francisco tomou uma medida ainda mais drástica do que aquela que limita o poder dos bispos sobre criação de institutos religiosos, que estabeleceu no dia 3. Na quinta-feira, 4, Francisco decretou: não permitirá mais que o organismo administre alguns fundos da instituição.
Em carta, ele explicou que, com isso, pretende “organizar melhor as atividades econômicas e financeiras (do Vaticano), bem como promover uma gestão que seja mais transparente e mais evangélica”.
Um desses fundos era o Óbulo de São Pedro, um sistema de captação de recursos, mantida por fiéis do mundo todo, para sustentar as obras de caridade do papa. O montante fica à disposição do pontífice caso ele precise fazer uma doação em seu nome. Porém, é administrado por seus colaboradores, que também atuam na distribuição desse dinheiro quando acontecem catástrofes naturais, crises humanitárias e etc.
No meio desta pandemia, foi desse montante que o Vaticano tirou dinheiro para comprar as centenas de respiradores que foram enviados aos países mais pobres, por exemplo.
DEPOIS DO ESCÂNDALO
Após escândalo envolvendo justamente esse fundo, que culminou na demissão do cardeal Angelo Becciu, em outubro, o papa resolveu submeter esse e outros fundos à Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (Apsa). O escritório é ligado à Secretaria de Economia, que foi criada por Francisco, em 2014, para fiscalizar melhor as finanças vaticanas.
Suspeito de peculato, Becciu teria desviado parte do dinheiro “do cofre da caridade do papa” a uma associação administrada pelo próprio irmão na Sardenha, na Itália. Na época, o purpurado era “substituto da Secretaria de Estado”, uma espécie de “chefe de gabinete” do papa.
*MIRTICELLI MEDEIROS é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras.

