quarta-feira, 29 julho, 2026
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PROFESSORA BRASILEIRA DE LIBRAS EM PORTUGUÊS FICA ENTRE FINALISTAS DO GLOBAL TEACHER PRIZE

(Do G1 )

A brasileira Doani Emanuela Bertan está entre os dez finalistas do Global Teacher Prize 2020, feito pela Varkey Foundation em parceria com a Unesco. O anúncio foi divulgado nesta quarta-feira (4). Ela é professora de educação inclusiva e português e foi selecionada entre 12 mil inscritos, de mais de 140 países. O anúncio do vencedor será em 3 de dezembro. O prêmio é de US$ 1 milhão.

Além de Doani, outros dois brasileiros estavam entre os pré-selecionados ao Global Teacher Prize: Francisco Celso Freitas, professor do sistema socioeducativo do DF; e Lília Melo, da periferia de Belém (PA).

ENSINO BILÍNGUE

Doani dá aulas em turmas mistas do ensino fundamental em uma escola municipal de Campinas (SP). Este ano, ela leciona em uma turma do terceiro ano que inclui nove alunos surdos e dois com déficit de audição, que precisam usar aparelhos para ouvir melhor. Com eles, está tornando a alfabetização bilíngue em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e português possível. Seja para alunos ouvintes ou surdos, todos aprendem a se comunicar por sinais.

A grande estratégia usada por Doani foi gravar vídeos para responder às dúvidas dos alunos, que chegavam por WhatsApp. Sem ter tempo de responder a todas na hora em que chegavam, ela passou a bolar roteiros de vídeos educativos em Libras sobre o conteúdo de sala de aula, ganhando assim tempo e fazendo com que o conteúdo chegasse a mais pessoas.

ASSOCIAÇÃO

Com a aceitação de estudantes e pais, que diziam aprender cada vez mais vocabulário em Libras, ela foi aprimorando a ideia. Assim, estudantes surdos passaram a compreender melhor o conteúdo da sala de aula. A narração em português sobre as imagens tornaram possível que os ouvintes associassem o conteúdo aos sinais em Libras, fechando o ciclo da inclusão e do ensino bilíngue.

“Hoje temos uma proposta de educação bilíngue voltada para surdos porque ele não escuta, é fato, mas essa não é a maior limitação. A maior limitação é o fato de eles não fazerem parte do grupo que fala Libras. O entrave acontece na barreira da comunicação”, afirma a professora.

“Quando é oferecido ao sujeito surdo a proposta ter libras como primeira língua e português como segunda, existe o prestígio linguístico entre elas. No caso das crianças, [o ensino ocorre] com maior prazer possível, com bastante alegria, para que eles tenham autonomia e queiram voltar para sala de aula no dia seguinte”, fala.

SE GANHAR…

Caso seja anunciada como a grande vencedora do Global Teacher Prize, Doani diz que pretende aplicar o prêmio na expansão do canal da internet, ampliando conteúdo, e também treinar e profissionalizar surdos em produção e edição de vídeos, tornando a própria confecção do canal em uma ferramenta de inclusão, e abrindo portas para o mercado de trabalho.

INSPIRAÇÃO

Doani conta que seu primeiro contato com Libras foi ainda criança, em Vinhedo, cidade a pouco menos de 20 quilômetros de Campinas, onde nasceu.

“Na minha infância era muito comum ver surdos vendendo chaveirinhos e, no verso da embalagem, sempre tinha uma imagem com o alfabeto em libras.

Eu fazia as palavrinhas com as mãos, ficava treinando do jeito que entendia que aquelas imagens impressas eram em 3D”, conta Doani.

Além disso, a menina Doani teve outra inspiração. A Xuxa, apresentadora de programas infantis da década de 1980, lançou a música “Abecedário da Xuxa”. O vídeo clipe de divulgação e os shows da apresentadora mostram as letras sendo apresentadas em libras, seguindo a letra da música: “A de amor, B de baixinho, C de coração”.

“Alguns sinais das letrinhas eu já sabia como era. Outros achava que sabia, mas estava fazendo errado. Outros aprendi vendo TV.”

Da brincadeira ao amadurecimento, quando Doani foi para a graduação de pedagogia aprofundou o conhecimento na educação inclusiva, usando Libras, e passou a querer mudar a realidade de alunos surdos. Assim, eles poderiam optar pela profissão que quisessem seguir, sem ficar restrito a trabalhos como o do vendedor de chaveirinhos, de Vinhedo.

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