domingo, 26 julho, 2026
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ALMIR FEIJÓ RETORNA COM “TANTAS LISONJAS QUE SENTIU-SE NUA”

Ilustrações de Leila Pugnaloni, capa de Solda, prefácio de Roberto Prado, produção de Rodolfo Zannin Feijó, prólogo de Roberto Gomes, diagramação de André Barros Kolaga


Quem pensava que Almir Feijó estava “desaparecido”, enganou-se. Ele está de volta, com a competência que o diferencia de tantos outros escritores. Revisita-nos, depois de demorado recesso, com edição dele
mesmo, em “Tantas Lisonjas que sentiu-se nua”.

Retorna com crônicas escrutinadoras de verdades e algumas mentiras. Sem perder tintas de sabedorias, algumas até antigas, como aquela que sugere ser preciso sentir o amargo para bem desfrutar do que é doce. São situações que o leitor vai descobrindo aqui e acolá, não necessariamente registradas pelo léxico e a lógica  que regem  meros decodificadores de códigos.

Almir é mais do que artesão da palavra, diria que é um psicanalista do verbo: trata de adequar o valor semântico de cada sílaba a realidades profundas de escaninhos da alma.

Solda, Roberto Prado e Roberto Gomes

O nosso mais fértil crítico de cinema – ao lado de Marden Machado, sejamos justos, e de Lélio Sotto Maior, com quem degustou as primeiras lições do antigo celulóide – não se expõe “cinematograficamente” no
livro de agora. Pelo contrário, opera como que por lancetas certeiras, às vezes ferindo sentimento com o vigor de  uma espada de dois gumes.

Deixa, no entanto, alternativas para outras leituras. É um homem livre, é catequista de liberdades.

Ao mesmo tempo fixa sua posição de exegeta de espíritos apaixonados. Para mim, ficam claros alguns gritos d’alma ensaiados, murmúrios de um espírito não apaziguado, de paixões fortes e contagiantes, das quais ele   não  pretende se desfazer, mesmo que o seu momento (mais solitário do que nunca)  possa sugerir estar vivendo uma grande batalha do Armagedon.

Almir Feijó e Leila Pugnaloni

Enfim, Almir Feijó permanece o mesmo de sempre. Também nisso nunca me surpreende o velho amigo e companheiro de jornal. Deambula por mundos oníricos únicos, por ele construídos numa existência de fidelidades à vida e a tudo o que ela encerra em surpresas.

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