“A democracia é desenhada de maneira diferente em cada estado porque é desenhada conforme cada povo pensa. O que está na base é o valor Justiça”, afirmou a ministra em conferência no CBDE
“A administração pública brasileira não tem um excesso de pessoas como se diz, mas uma má distribuição. Se temos um problema com educação, é esse servidor que temos que valorizar. Se temos problema com saúde, é esse trabalhador que precisamos valorizar”, disse Cármen Lúcia. “Pensar para o bem servir o público demanda uma transformação e não uma reforma da administração.
Os princípios da constituição são os que exatamente precisam ser cumpridos”, opinou a ministra do Supremo. Para ela, a maior preocupação do administrador público deve ser com a eficiência, cuja falta resulta na insatisfação da sociedade que, em casos extremos, desemboca em manifestações de ódio.
INTOLERÂNCIA
A ministra também fez um panorama sobre experiência democrática em diferentes contextos. “Não há alternativa que o ser humano tenha pensado à democracia. Para problemas com a democracia, mais democracia”, afirmou. “A democracia é desenhada de maneira diferente em cada estado porque é desenhada conforme cada povo pensa. O que está na base é o valor Justiça”, acrescentou a ministra.
Cármen Lúcia também falou sobre o crescente comportamento de intolerância daqueles que veem como inimigo quem pensa diferente e como isso é antidemocrático. “O momento que vivemos deixa à mostra muita intolerância, até mesmo com os princípios constitucionais. Mas isso é um soluço histórico, que será superado”, avaliou. “A liberdade não pode ser garantida se não no espaço democrático. O pluralismo tem de ser algo que nos aproxime e não que nos distancie”, pontuou a integrante do STF.
DESIGUALDADE
Sobre o contexto da pandemia, ela citou as pessoas em situação de mais vulnerabilidade. “Distanciamento é ruim para todos. Mas é pior para quem não tem onde morar ou mora em um lugar muito pequeno, com seis ou oito pessoas, onde um distanciamento é inviável”, lamentou.