Para os estudiosos da antropologia cultural, o prefeito fornece um bom modelo do chamado “duplo pertencimento” religioso…

Em sua sala, no apartamento na rua Coronel Dulcídio, o prefeito Rafael Greca reza todo dia diante da imagem de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, praticante que é do catolicismo de linha popular. Nos últimos tempos, a santa divide espaço a imagem do Caboclo Morimbatá, entidade da Umbanda a quem Greca atribui tê-lo curado uma forte dermatite em seu pé, segundo o próprio alcaide proclama.
Rafael Valdomiro Greca de Macedo tem rezado fervorosamente ao Caboclo Morimbatá e já atribui a entidade da Umbanda a “graça” da volta das chuvas.Na verdade, conforme a plateia ao seu redor, ele divide essa “graça” entre a Virgem e o caboclo. Há que satisfazer assim, “mesmo que desgostando a linhas evangélicas”, observa uma fonte do Gabinete do Prefeito, alguém contrariado com a vertente político religiosa adotada pelo alcaide.
MUITO FERVOROSO
O que é certo é que o alcaide é um fervoroso devoto do Morimbatá. Ele narra, muitas vezes, que antes de ser eleito, em 2016, foi o Caboclo que curou seu pé tomado por uma dermatite que não recuava. A despeito de sofisticada supervisão dos médicos e com fortes e modernos remédios, a dermatite – ele proclamou muitas vezes – “só resolveu mesmo foi com o Caboclo…”.
O espírito multifacetado de Greca expressa muitas adesões religiosas. Assim, pois, considera que a chuva só veio a Curitiba depois das rezas ao Morimbatá. E acredita mais: que a agora vão cessar as críticas contra a sua administração.
Uma das críticas mais persistentes, relacionadas ao uso da água, está como a Prefeitura gasta água da cidade de forma irresponsável, em plena época de racionamento no abastecimento na Região Metropolitana.

NA PRAÇA DO JAPÃO
Técnicos da PMC, que se opõem ao esbanjamento da água, disseram na sexta (21), à dona Matilde da Luz, que “em menos de 45 dias o prefeito mandou esvaziar os cinco lagos que existem na praça do Japão. Foram jogados foram 2 milhões de litros em água, que poderiam encher 400 caixas de água de 500 litros, atendendo mais de 20 mil pessoas.”
O esvaziamento teve como justificativa o restauro e modernização desses lagos. Mas até agora a obra não acabou. Mal feita da primeira tentativa, a obra é uma incógnita. Quem visita a praça, fotografa os lagos vazios. Há entulhos espalhados na grama, mas não há sinal de conclusão dos trabalhos.
“Talvez termine depois de mais reza para o caboclo Morimbatá”, diz, em tom entre sério e sarcástico, um acadêmico de Ciências Sociais da UFPR, sabido crítico das deambulações políticas de Greca (“ora está com Lerner, seu criador; ora, nos braços de Requião; depois, torna-se parceiro de Richa, a quem depois trairá…)”.
