Garantem que têm poder de multiplicar votos a pelo menos 200 mil eleitores, contra Greca. E perguntam: “Por que supermercados, podem ficar abertos?. Será porque são poderosos, bilionários?”
Feira livre de Curitiba, na Praça da Ucrânia
Nos últimos dias, um dos responsáveis pelas grandes agitações políticas em torno do gabinete do alcaide Rafael Valdomiro Greca de Macedo é a interminável e continuada manifestação de protesto dos feirantes de Curitiba.
Além de se dirigirem desrespeitosamente ao prefeito – chamando-o de “balofento” -, muitos dos 900 feirantes da cidade fazem soar uma pergunta que não só incomoda ao alcaide e seu staff. Ela vem carregada de lógica nestes tempos de pandemia:
– Por que, afinal, o grande comércio, o dos supermercados tocados por corporações bilionárias, têm todo apoio de Greca e continuam abertos? E a aglomeração nos supermercados, pode?
Um dos feirantes, que pede anonimato, disse hoje (13) à Coluna: “O alcaide está esquecendo que nossa ira santa vai influenciar o voto de pelo menos 200 mil curitibanos em novembro?”.
PARA REMEMORAR
Os quase 900 feirantes de Curitiba já não estão alinhados com o prefeito de Curitiba, Rafael Greca. Depois da decisão do alcaide que mandou fechar as feiras livres, gastronômicas e também orgânicas durante os sábados e domingos, o prefeito passou a ser odiado por uma classe que é unida e influencia os votos de mais de 200 mil curitibanos.
FERIDOS DE MORTE
Greca feriu de morte os feirantes tirando deles os dois dias de melhor faturamento. Os fins de semana representam mais de 40% da lucratividade da categoria, pois nos sábados e domingos as famílias curitibanas, mesmo em tempo de Covid-19, ainda vão as feiras.
Gente apinhada nos supermercados. Foto: Julianne Ritz
“BALOFENTO”
A raiva é tanta que tem feirantes chamando o prefeito de “balofento”, criticando que ele sequer acorda cedo para ouvir as críticas dos feirantes.
O “balofento” pode até soar como preconceituoso contra a obesidade mórbida do alcaide, mas exprime, em última instância, a “ira santa” da qual esses pequenos comerciantes estão tomados. E ira santa – segundo a tradição judaico-cristã – pode até ser perdoada…
TUDO PARA OS GRANDES
Um feirante gritava em alto e bom tom na feira da rua Alexandre Gutierrez,de terça-feira, “o balofento deixa as pessoas se apilharem nos mercados e fecha as feiras onde as pessoas ficam ao ar livre. Ele só atende os poderosos, abriu o shopping e fechou os parques. Vai ter troco”