
A obra de Dalton Trevisan não está em discussão nos meios de comunicação. Em áreas da academia – como a USP -, ao contrário do que ocorre em áreas da imprensa, em ciclo de estudos, discute-se a dimensão do contista, um campeão nessa área ao lado de outro, Rubens Fonseca. Os dois, coincidentemente, tornam-se nonagenários neste 2015.
Dalton ganhou uma página, sexta, 8, da Folha de São Paulo, igual espaço destinado a Fonseca. O motivo são os 90 anos de vida de cada um deles.
A reportagem até poderia ser mais substanciosa. Ficou centrada no terreno que, para o público em geral, mais chama atenção: a vida misteriosa do “Vampiro de Curitiba”. Trata-se de vida de absoluto recato em relação à exposição pública, negando-se ele a ser fotografo, a contatar estranhos, a conceder entrevistas, e falar em público. Nem concede a “graça” de receber eventuais prêmios literários. Muito menos abre as portas de sua casa, um imóvel gasto pelo tempo e por falta de manutenção, no Alto da Glória. Isso embora Dalton seja um homem de posses, vem dos Trevisan. Seus pais foram donos de inúmeros imóveis e indústria de cerâmica (até há 20 anos, funcionava na Rua Emiliano Perneta, próxima à Praça Rui Barbosa).
2 – “CHAPEUZINHO VERMELHO”

Na matéria da Folha de São Paulo, a grande novidade, o namoro de Dalton com uma jovem de 30 anos, não foi abordada com detalhes.
Vamos suplementar a reportagem da FSP: a jovem chama-se Fabiana, é estudante de Letras. Ela e Dalton se conheceram num café, um espaço aparentemente sem requintes, em que ela trabalhava como garçonete.
Apaixonaram-se, segundo versões de informantes privilegiados. Ele deu à jovem o apelido carinhoso de “Chapeuzinho Vermelho”, quando o namoro começou a repercutir num círculo estreitíssimo de relações do contista.
A jovem, ao que se sabe, com solidificação do namoro, deixou de trabalhar no café.
Agora dedica-se à universidade e a Dalton.
3 – OS ‘INFIÉIS’
Pouquíssimos são os que privam da amizade de Dalton, o “Vampiro de Curitiba”. Por exemplo, Miguel Sanches Neto, professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa, foi ‘amaldiçoado’ por Dalton, que, segundo fontes, destinaria ao escritor apelidos como “Youssef da Literatura”, numa alusão ao delator Alberto Youssef, que abriu todas as informações possíveis sobre a corrupção na Petrobrás e partidos políticos.
Sanches, um dia, teria sido infiel a Dalton. Teria passando adiante informações da vida particular do contista. E outros poucos que ainda privam de alguma aproximação com Dalton estariam sob “constantes ameaças de anátemas”, diz um jornalista especializado em Dalton.
Seria o caso de Estevam Silveira, dono de uma lotérica, que produz vídeos para o Youtube inspirados em contos de Dalton e com o “placet” dele. Tem o beneplácito do contista. Dentre os atores desses vídeos está o promotor cultural Tiokim. Mas nem Estevam nem Tiokim querem perder a amizade de Dalton Trevisan, punição que ele reserva a quem rompe com o círculo de silêncio que deve envolver o relacionamento deles com o contista. Outra pena, mais ‘grave’, pode significar a transformação dos traidores em personagens tétricas de contos do “Vampiro”. Aliás, essa possibilidade está reservada àqueles que Dalton identificar como os informantes da recente reportagem da Folha de São Paulo.
4 – O ASSÉDIO
Há dias, prevendo o assédio de que passaria a ser objeto, por causa de seus 90 anos, Dalton procurou um de seus mais antigos e fiéis amigos pedindo-lhe um favor especial, o de se abrigar na casa dele, “por um tempo”.
O amigo concordou, é claro.
Na concordância – dizem – não houve abertura (não se tocou no assunto) para Dalton levar o cachorrinho de estimação.
A ausência do bichano poderá, isto sim, retirar o “Vampiro” desse retiro provisório; em que, admite-se, deverá estar acompanhado de “Chapeuzinho Vermelho”.
