sábado, 25 julho, 2026
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DELFIM NETTO: “PANDEMIA TROUXE À TONA 38 MILHÕES DE BRASILEIROS INVISÍVEIS”

Ex-ministro da ditadura, Delfim Netto participou nesta segunda (20) do programa Conversa com Bial

Reprodução TV Globo

Político, professor universitário e economista formado pela USP, Antônio Delfim Netto foi ministro da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura na ditadura militar. Nesta segunda-feira (20), ele conversou com o jornalista Pedro Bial, em seu programa na Rede Globo, sobre seus 70 anos de vida pública, além de comentar as eleições de 2018, o trabalho do ministro Paulo Guedes e o governo Bolsonaro.

38 MILHÕES DE INVISÍVEIS

Nascido em 1928, 10 anos depois da passagem da Gripe Espanhola pelo Brasil, Delfim comparou as duas pandemias e lamentou que, mesmo 100 anos depois e com uma compreensão científica maior, o país não tenha se preparado para enfrentar a Covid-19:

“O combate à pandemia é o maior fracasso do governo Bolsonaro. Não porque ele colocou um militar, mas porque nós não tínhamos nos preparado para o que aconteceu.”

O economista salientou que, em sua opinião, a maior consequência da tragédia foi a descoberta de 38 milhões de brasileiros “invisíveis”: “Estavam vivos, mas não existiam. Para os quais não demos nem água tratada, nem esgoto tratado.”

MEA CULPA

Ao salientar a urgência de combatermos o que definiu como uma “desigualdade escandalosa”, Delfim defendeu uma prática política que gere igualdade de oportunidades, e não deixou de fazer um mea culpa:

“Nós, economistas que tivemos poder, não deveríamos estar dizendo isso, deveríamos primeiro fazer um mea culpa porque não fizemos, quando estávamos no governo, o que estamos dizendo que temos que fazer.”

Em suas palavras, não há força política que vá impedir o lançamento de uma renda básica inteligente, que proteja os mais necessitados e dê a eles a oportunidade de recuperarem sua cidadania.

“Enquanto não partirmos do mesmo ponto, meritocracia não significa nada.”

Clique aqui para conferir os vídeos da entrevista

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