Acompanhe passo a passo o convite a Renato Feder para o Ministério da Educação, e os vetos que sofreu

No momento em que escrevo esta nota, 10 horas desta segunda, dia 6, o secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, estará exercitando uma de suas muitas qualidades: faz uma reunião online com os dirigentes da SEED. É uma espécie de reunião da tropa, para pedir que o pessoal redobre seus esforços “para fazer da educação do Paraná a melhor do Brasil”.
Quem conhece bem o espírito organizado e não belicoso de Renato Feder me garante que ele não tratará com sua equipe de detalhes do convite que recebeu para ser o ministro da Educação, e a posterior fritura a que foi submetido pelo grupo “olavista” e os moços do chamado “gabinete do ódio” com suas redes sociais especializadas em detonar nomes que não lhes são agradáveis.
Será uma pena esse silêncio do Secretário, pois ele poderia fornecer um amplo roteiro cronológico do processo em que foi envolvido, desde quinta-feira, 2, quando o presidente Bolsonaro telefonou-lhe, às 22
horas, informando, de saída: “Tenho uma abacaxi para você, quero que o aceite”. E o convidou para ser ministro da Educação, marcando até uma entrevista com o ele, o presidente, na manhã desta segunda-feira (6) no Palácio do Planalto.
ORDEM PARA “SUBMERGIR”
Acostumado a trabalhar com as devidas precauções, Feder não se surpreendeu, por isso, com o Whatsapp que o presidente Bolsonaro enviou-lhe, às 6h15 do dia seguinte, sexta-feira (3). A mensagem, objetiva, determinava que Renato Feder “submergisse”, que “desaparecesse, evitasse a imprensa” que, admitiu, iria combatê-lo.
Curiosamente, às 11 horas da mesma sexta-feira (3), o Palácio do Planalto, usando dos seus muitos canais, vazou a informação: Feder seria o novo ministro da Educação em substituição a Decotelli, o que foi sem nunca ter sido ministro. O vazamento com propósito e endereços certos? Isso é o que parece…
REPISANDO DÚVIDAS
Como a equipe de oposição a Feder não era mesmo de matar com a unha, logo alguns de seus membros se apresentaram. Irados contra Feder. O primeiro deles foi o tristemente “guru” da Assembleia de Deus Amor em Cristo, pastor Silas Malafaia. Não achando outra razão, teria cobrado (a imprensa nacional noticiou) de Bolsonaro o fato de Renato Feder ser judeu… E daí?
Quer que o ministro seja um evangélico, um tremendamente evangélico. Malafaia é capaz mesmo disso, excluir um brasileiro apto para o MEC por sua ascendência étnica e/ou religiosa…

ENSINO PÚBLICO
Em seguida, os outros braços do gabinete do ódio assestaram todo tipo de acusações não fundadas contra Feder. Uma delas, a de que seria contra o ensino público, quando é notório que Feder, com a Aula Paraná – online – resolveu o problema do ensino público no Paraná, um modelo para o Brasil.
Na sexta (3) e sábado (4), os assessores de Feder se dedicaram a rebater as acusações, uma delas com base num livro que Renato escreveu aos 20 e poucos anos, defendendo ideias que, claro, não mais pertencem ao ideário do secretário paranaense.
REUNIÃO CANCELADA
Nesse amplo processo de fritura, Renato Feder colocou-se em posição de equilíbrio, rebatendo acusações, dentro do melhor espírito diplomático, sem confrontar com o “gabinete” nem como grupo do chamado filósofo da Virgínia, Olavo de Carvalho.
O desfecho veio na noite de sábado, quando o Palácio do Planalto comunicou a Feder o cancelamento do encontro com o presidente, marcado para esta segunda. Sem maiores explicações. O desdobramento da questão foi a nota distribuída à imprensa e publicadas em redes sociais, em que o secretário Feder comunica ao presidente da República que declinava do convite para ser ministro. Afinal, Bolsonaro nunca o desconvidou, mas a fritura dera resultado, e Feder é um homem que sabe ler o sinal dos tempos e avaliar todas as temperaturas da política.

ATÉ O OPUS DEI FICOU COM FEDER
Se por um lado aceitou com tranquilidade a nova situação – e mantendo as portas abertas com Bolsonaro, pensando no Paraná -, Feder pode contabilizar um grande feito. Um deles: reuniu nomes de porte nacional em seu favor, como o senador Oriovisto Guimarães. Sem contar que “soldados” da Opus Dei – a obra, como seus membros se referem à instituição – se alinharam a favor de Feder. Um deles, o sempre atuante “numerário” (membro efetivo da Opus Dei), Guilherme Cunha Pereira, dirigente da RPC e Gazeta do Povo.
E mais: nem “olavistas” ficarem distantes do problema, em Curitiba. Aqui, onde mora um filho de Olavo de Carvalho, o moço foi acionado por amigos de Feder para, quem sabe, amolecer o duro Olavo. Nesse trabalho teve papel importante Gláucio Dias, um membro da “obra”, jornalista, hoje considerado uma revelação como diretor geral da SEC, dadas as suas qualidades de gestor.
ALVO É O IDEB
Hoje de manhã, um assessor de Feder prenunciava: “O secretário daqui para frente vai se concentrar em fazer o Paraná, que está em sétimo lugar no IDEB, chegue pelo menos ao quarto, neste ano.
