sexta-feira, 24 julho, 2026
HomeMemorialOPINIÃO DOS OUTROS: DESCRÉDITO GENERALIZADO

OPINIÃO DOS OUTROS: DESCRÉDITO GENERALIZADO

 

Por Antenor Demeterco Junior (*)

A Organização Mundial da Saúde- OMS tem como objetivo, como consta em sua documentação, desenvolver ao máximo possível o nível de saúde de todos os povos, definindo-se saúde como um “estado de completo bem-estar físico, mental e social e não consistindo somente da ausência de uma doença ou enfermidade”. A expansão do corona vírus já matou aproximadamente 42.800 brasileiros, sendo 851.321 infectados, e 427.610 curados (estes dados são do momento).

A vacilação das autoridades sanitárias no mundo é patente no combate a doença: primeiro foi imposta a desertificação da atividade econômica com o isolamento social absoluto, com o esquecimento do estado de completo bem-estar social das populações, só viável via empregos e atividades (a OMS esqueceu este item de seu programa).

 

POBREZA AGRAVADA

Cidadãos em tempos normais, já mergulhados na pobreza, desempregados aos milhões, estão tendo sua situação extremamente agravada. Há um grande empenho das autoridades sanitárias em compatibilizar o número de infectados com a possibilidade de serviços hospitalares. Não houve a prevenção inicial com a universalização do uso de máscaras, da lavagem de mãos, da gratuidade de álcool gel, do distanciamento entre as pessoas. O uso de máscaras foi, inicialmente, desprestigiado como praticamente inócuo. Hoje é considerado o primeiro item da prevenção.

 

NÃO É UNANIMIDADE

O distanciamento social absoluto não é unanimidade entre os entendidos, sendo que focos de contaminação estão em ajuntamentos pontuais como desfiles carnavalescos, bailes, shows, torcidas em campos esportivos, cultos, etc.

Pessoas ajuntadas em casa transmitem familiarmente o vírus, melhor fossem trabalhar com cuidados, sendo as favelas o espaço social ideal para tanto. Países com população de baixa renda como o Brasil demandam iniciativas enérgicas no setor de transporte coletivo, onde ajuntamentos não são evitáveis, não na vedação de trabalhar.

Para resolver um problema criaram outro não de gravidade menor, desvestiram um santo para vestir outro. Serão lançados à rua multidões açoitadas pela fome em busca de sobrevivência, que a assistência social governamental não pode suprir. Empresas estão fechando as portas como resultado do remédio linear proposto pela OMS, que confeccionou um terno de medida única para clientes com medidas diferentes, em tudo diferentes. Some-se a tudo isto a falta de conscientização e irresponsabilidade de setores da população que se amontoam em bares e bailões, sem qualquer distanciamento e desprovidas de máscaras preventivas.

 

CLOROQUINA?

A medicação cloroquina ou hidroxicloroquina divide os entendidos quanto a sua utilização, mas para muitos pacientes da doença tem produzido, comprovadamente, efeitos positivos. Simplesmente descartá-la parece ser temerário, pois pode significar a única tábua de salvação para infectados. Como qualquer medicamento tem efeitos colaterais, que o médico receitante, como costuma, deve levar em conta ao indicá-lo. A guerra contra o vírus está sendo travada, visivelmente, com improvisações e instrumentação sem aceitação unânime: desertificação da economia, total ou parcial; aceitação do remédio existente ou não; patente e irresponsável falta de cooperação de setores da população; número de mortos pela doença sob suspeição; certa ocultação do número de pacientes curados. O medo sequencial afastará a clientela do comércio em geral, o que trará dificuldades para a recuperação da economia de mercado, principalmente em países periféricos como o nosso. E, para vergonha universal, respiradores são comprados superfaturados. Confia-se que tempos melhores virão.

Curitiba 18 de junho de 2020.

 

(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, desembargador aposentado do TJPR, advogado; especialista em História do século 20.

Leia Também

Leia Também