
Há previsão de um tremor de terra em Curitiba, segundo línguas afiadas.
Ainda no primeiro semestre. Não tem erro. Algo vai abalar as estruturas da cidade. E essa força da natureza é um romance, elaborado nos últimos anos por Paulo Venturelli, mais conhecido por ser professor na Universidade Federal do Paraná (UFPR), de onde está se desligando por causa da aposentadoria.
O livro que Venturelli lança antes de junho se chama “Madrugada de farpas”, sai pela editora Arte & Letra e, com certeza, absoluta, vai provocar escândalo. É um romance gay, o primeiro romance gay da história da literatura paranaense.
2 – “WALTER” FOI AMOSTRA
Ainda em 2013, Venturelli soltou uma mostra do que está por vir. Naquele ano, publicou, pela Tulipas Negras, o livro-conto “Walter” — uma breve, mas intensa, narrativa na qual apresentava uma relação doentia, de posse, de um adulto com um jovem. “Espero que este conto cause escândalo, ira, revolta e, por isto, reflexão. Claro que toca num tema tabu e faço isto de propósito. O conto em si é sujo”, afirmou, em entrevista, na véspera do lançamento de “Walter”. O silêncio que se seguiu à publicação pode sinalizar que o conto chocou boa parte de seus leitores.
3 – PONTOS DE ENCONTRO
Agora, a tendência é que o romance “Madruga de farpas” provoque mais reações na sociedade. “Para escrever ‘Madrugada de farpas’ fiz muitas pesquisas de campo para ver/conhecer o modo de vida gay e fui acumulando dados e leituras para dar corpo à história”, comentou, em entrevista, Venturelli, que vive em um apartamento de 105 metros quadrados no primeiro andar de um prédio no Bacacheri, em Curitiba, onde também comprou outro imóvel, da mesma metragem, no térreo, para guardar os 15 mil títulos que comprou, e leu, ao longo da vida.
4 – SOBRE NORMALIDADE
Segundo consta, “Madrugada de farpas” apresentará pontos de encontro gay em Curitiba, um deles o Museu Oscar Niemeyer (MON). Quem já leu, garante: o romance é forte. Até porque o autor está “mexendo em vespeiro”.
“A heterossexualidade não é o normal. Os gays podem ser uma minoria, mas são uma minoria expressiva e precisam ser respeitados no que são e no que vivem. Agora que levantei esta bandeira, quero continuar. Já escrevi uma novela juvenil em que dois garotos se apaixonam. Certamente terei dificuldade em publicar, mas vou à luta. Quero ser o porta-voz desta grande parte da população que é esmagada e silenciada”, disparou o escritor, na entrevista publicada no blog da Tulipas Negras — conteúdo que pode ser conferido integralmente no link:
http://tulipasnegraseditora.blogspot.com.br/2013/07/a-heterossexualidade-nao-e-o-normal.html.
