
O curitibano Napoleon Potyguara Lazzarotto (1924-1998), o Poty, que ilustrou obras literárias de Dalton Trevisan, João Guimarães Rosa, Gilberto Freire, Jorge Amado, Mário Palmério, Rachel de Queiróz e Graciliano Ramos, entre outros, está presente no Museu Casa Guimarães Rosa, na pequena cidade mineira de Cordisburgo. Lá, a memória do grande artista está preservada com a exposição das gravuras (matrizes em madeira) que ilustraram três obras de Rosa: “Grande Sertão: Veredas”, “Corpo de Baile” e “Magma”. Há também uma biografia resumida do gravurista.
MEMÓRIA DE POTY (2)
É um exemplo a ser seguido em Curitiba. Está na hora de se criar um movimento para a preservação da memória e das obras de Poty, apesar do trabalho dele ser visível em vários cantos da cidade (Teatro Guaíra, Palácio Iguaçu, praças 29 de Março e 19 de Dezembro, Torre da Telepar, Centro Histórico, etc.). Batalhador incansável é o irmão de Poty, João Lazzaroto, do cartório do Cajuru, que sempre atende com boa vontade os que querem expor obras do artista e fazer pesquisas sobre ele. Num imóvel de João há perto de quatro mil trabalhos de Poty à espera de um trabalho profissional de catalogação e preservação. Uma gravura dele ilustra os rótulos de dois espumantes elaborados pela Vinícola Araucária, de Renato Adur: Poty brut e Poty demi-sec.
Essas observações foram trazidas à coluna pelo experiente jornalista Walter Schmidt, professor universitário de Jornalismo, memorialista de nossa História, que indaga: “Se a pequena Cordisburgo presta singela homenagem a Poty, a grande Curitiba pode fazer muito mais, não é mesmo?”
