
Nada mais oportuno do que uma breve reflexão sobre a nova personagem que passou a frequentar o noticiário paranaense, pela importância da posição que passou a exercer: o arcebispo José Antonio Peruzzo, de Curitiba, empossado na Catedral, dia 19 deste mês.
O arcebispo não impressiona pela eloquência. Não é eloquente. Nem precisa ser: estamos acostumados (mal) à proliferação de padres cantores e pastores eloquentes, alguns deles vendendo especialmente “mercadorias” que não são prioritariamente ligadas ao Evangelho, à mensagem do Cristo.
Mas fazem sucesso, é certo.
2 –PRESTE ATENÇÃO
O arcebispo, vê-se de saída, deve ser ouvido com atenção: sua fala tem substância. É a de um homem acostumado à exegese de textos judaico-cristãos, em grego, latim e hebraico. É doutor, título conquistado em Roma, em Sagradas Escrituras. Também estudou em Israel para o doutorado.
Dom Peruzzo, 57, que vem de uma diocese pequena, Palmas e Francisco Beltrão, filho de italianos agricultores, tem a identidade comum de boa parte do clero brasileiro do Sul do país: raízes rurais, origem eslava, germânica ou italiana. Essa é mais ou menos a “regra” até agora, com relação aos membros do episcopado (bispos) no PR, SC e RS.

3 – IMERSÃO NOS ESTUDOS
Padre André Biernaski, 67, diretor do Seminário Rainha dos Apóstolos há 30 anos, conhece bem o novo arcebispo e um dia me deu este testemunho:
“Nunca vi alguém com tanta capacidade de mergulhar nos estudos quanto ele…”
O padre tem autoridade: o hoje arcebispo, que passou agora a ser seu superior, ficou anos sob a orientação de André, no Seminário Rainha dos Apóstolos, onde morou enquanto estudava teologia e filosofia.
4 – AS DEFINIÇÕES
A verdade é que recentes declarações do novo arcebispo de Curitiba dão uma boa ideia do que pensa – em linhas gerais – o líder religioso: a) não está assustado com o avanço das chamadas igrejas e seitas sobre os fiéis católicos – “quem saiu da Igreja foram os infiéis”, disse; 2) acha que as Igrejas católicas estão cheias, aos domingos; 3) que é preciso os padres deixarem a zona de um certo conforto, em busca de almas; 4) não se enquadra em categorias simplisticamente apontadas para definir bispos, as de conservador e progressista. Diz que, em linhas gerais, que ficará sempre com as palavras de Jesus, em última instância; 5) com respeito aos recasados católicos que reclamam comunhão plena com a Igreja, não teve declarações animadoras: lembrou palavras do Evangelho – “aquilo que Deus uniu não separe o homem”.
5 – LINGUAGEM
Em Toledo e Beltrão o hoje arcebispo ficou conhecido por falar uma linguagem acessível – quer dizer, popular -, de facilmente aceitação do povo católico. Há testemunhos de que, não poucas vezes, falando para o clero, querendo chamar atenção de padres e religiosos em geral, teria usado, “à vontade”, a expressão “macacada”.
“Claro que, como grão chanceler da PUCPR, posição que passa a enfeixar, Peruzzo será comedido…”, é o que diz esperar um professor do Studium Theologicum de Curitiba, onde o arcebispo foi aluno. Isso sem deixar de assinalar: “Mas quem o conhece bem garante que o seu espírito bem humorado sempre pode prevalecer nele.”
