Não tenho nenhuma dúvida de que a história do Paraná está acontecendo hoje, todos os dias, e que recolhê-la é tarefa para jornalistas, pesquisadores em História, historiadores.
Dias atrás, por exemplo, ao levantar aspectos da vida e carreira de Eduardo Lopes Pereira Guimarães – que conhecemos simplesmente como Eduardo Guimarães -, para o volume 7 do meu livro Vozes do Paraná, deparei-me com o mundo à parte que é o da chamada paradiplomacia e os seus paradiplomatas. Assim denominam-se, em meios oficiais, as funções dos cerimonialistas de governos e órgãos públicos de todos os níveis.
E desse universo, o carioca Eduardo Guimarães, que adotou o Paraná como sua terra a partir de 1966, é uma referência nacional. Sem exageros.
2 – SECRETÁRIO INTERNACIONAL
Eduardo começou nas funções em 1996, depois de ter passado quase 20 anos em posições diretivas na potência empresarial que eram as lojas Hermes Macedo.
Foi chamado em 96 por Jaime Lerner para ser muito mais do que cerimonialista. Jaime entregou-lhe a secretaria de Assuntos de Cerimonial e Internacional de seu governo.
E lá Eduardo permaneceu até 2002.
De saída, chamou atenção de seus colegas de cerimoniais do país todo pelo perfil diferenciado. E assim foi eleito, por isso, vice-presidente do Comitê Nacional de Cerimonialistas.
3 – COM LERNER E BETO
Nas muitas andanças com Lerner – e depois com Beto Richa, em missões internacionais – Eduardo mostrou-se, por vezes, ubíquo: era preciso “quase estar em dois lugares ao mesmo tempo” e falar com desenvoltura pelo menos 6 idiomas. Sem contar – como constatam amigos que com ele trabalharam – que “Eduardo é capaz de comunicar-se em 16 línguas diversas”.
Fernando Henrique Cardoso foi uma das amizades que Guimarães conquistou.
“Fale com o Eduardo, ele pode explicar melhor que ninguém esse assunto”, disse certa vez o então presidente a um auxiliar diplomata, diante de um problema de cerimonial surgido de improviso no Planalto.
Muito além de um enorme espaço em sua casa dedicado a guardar fotografias que documentam presenças de autoridades internacionais em visita ao Paraná, Eduardo ufana-se mesmo é com medidas essenciais, que por anos garantiram brilho às cerimônias – só para citar – de visitas de embaixadores ao governador.
“Eles passavam revista à tropa da PMEP, defronte ao Palácio”, recorda, com discreto lamento: “Hoje não existe mais…”
4 – RENAULT E COMENDA
Quem imagina o cerimonialista com funções restritas de organizar banquetes, recepções oficiais e cuidar de salamaleques oficiais, está enganado, especialmente com relação a Guimarães.
Há marcos na passagem dele pelo Palácio Iguaçu que entraram na História do Paraná. Como a inauguração da planta da Renault aqui, que exigiu de Eduardo um amplo e minucioso trabalho de organização. “Foi muito além da festa”, observa.
No portfólio de Eduardo Guimarães há momentos que “compensam todas as dificuldades que se passa no cargo”. E com não menos satisfação ele enumera à missão cumprida nos mínimos detalhes, que Lerner lhe passou, de reconfigurar a programação visual da Comenda do Pinheiro, a mais alta condecoração do Estado entregue a pessoas que se distinguem na vida na vida do Estado. Cuidou com grande interesse, de normatizar toda a estrutura da comenda.
Enfim, a história de Guimarães engloba o paradiplomata conhecedor de heráldica, poliglota de sólida formação humanística, arquiteto premiado internacionalmente e dono de uma cultural geral impressionantemente facetada.
Eu, de minha parte testemunho o bom cantor que ele é, como quando o vi interpretar, na casa de dona Dedé Moceline (in memoriam) “My Way” e “New York New York”. Os “números” foram partes extras do cerimonialista que, com as canções, saudou o então ministro do Exterior, Luiz Felipe Lampreia.
Foi um ponto alto da festa.
