Clinipam foi vendida ao grupo Notre Dame por R$ 1,6 bi; Nossa Senhora das Graças compra robô por R$ 20 milhões.
Curitiba começou a ser considerada cidade ideal para testes de marketing e pré-lançamento de novos produtos, assim como para investimentos de toda sorte, no começo dos 1970. O motivo, simples:
Jaime Lerner marcara a Capital pela renovação urbana e, junto com ela, deu-se uma mudança de mentalidade, nascendo um “orgulho de ser curitibano”.
No ano passado, 2019, “mutatis mutandi”, Curitiba tornou-se exemplo de renovação no país na área da saúde/hospitalar.
Um dos primeiros “choques” ao até então comportado mundo hospitalar privado da cidade deu-se com a compra do Hospital Santa Cruz, pelo Copa D’Or um dos mais importantes complexos hospitalares do Brasil.
A transação não ficou menor do que R$ 1 bilhão. Isso mesmo.
EVANGÉLICO: BOAS MÃOS
Sem seguir ordem cronológica, posso enumerar que outro grande feito: o Hospital Evangélico, depois do tempo de desgraças montado pelo grupo Zacharow, foi finalmente leiloado pela Justiça do Trabalho e entregue ao poderoso e correto grupo Mackenzie, braço secular da Igreja Presbiteriana do Brasil, que logo conseguiu colocar ordem na casa.
Atende 90% de seus pacientes pelo SUS, 500 leitos e se encaminha para voltar a ter diversos cursos universitários (hoje mantém apenas Medicina).
MEDICINA E CIRURGIA
Também há que se observar o fechamento, na prática, do antigo Instituto de Medicina e Cirurgia do Paraná, que agora recebe em seu endereço da Ubaldino do Amaral diversos serviços médicos de terceiros.
Também o tradicional Hospital N.Senhora do Pilar foi adquirido por grupo empresarial nacional. Valor não revelado ainda.


GRUPO CLINIPAM
Nos meios médicos, aquela que mais se considera como “impressionante transação” foi a venda do grupo Clinipam ao grupo de planos de saúde Notre Dame, de São Paulo, por R$ 1,6 bilhões. Isso mesmo!
O grupo Clinipam, com dois hospitais próprios e ampla rede de prestadores de serviço, era dirigido pelo médico e empresário Kadri Massuda, filho do antológico artista plástico Alberto Massuda.
Há explicações para o valor atingido pela Clinipam, segundo me observa um médico muito atilado ao que ocorre no mercado da saúde curitibano:
– A Clinipam era uma poule de dez – com quadro de associados muito jovem, gente que não exige muitos serviços médicos. Essa é a chave para entender os R$ 1,6 bilhão que alcançou a venda. Tem uma carteira recheada de jovens beneficiários, gente que só aumenta os lucros da empresa.

ROBÔ DO NOSSA SENHORA
As religiosas católicas donas e comandantes do Nossa Senhora das Graças (HNSG), congregação das Filhas da Caridade ou Vicentinas, também colocaram nos últimos dias de ano, aquele hospital no mesmo nível dos grandes congêneres , ao adquirirem o Da Vinci, o mais moderno robô de sua categoria (outro existente em Curitiba está no Erasto Gaertner, mas é de geração antiga). O custo impressiona: R$ 20 milhões.
Observadores do mercado de saúde de Curitiba admitem que “a aquisição não se pagará”, pois o robô será usado apenas para sócios de planos de saúde ou particulares que a ele recorrerão em casos de cirurgias.
Para o já citado observador dos negócios de saúde em Curitiba, o robô do Nossa Senhora das Graças coloca aquele estabelecimento no mesmo nível dos grandes nacionais, como o Einstein, Sírio Libanês, Osvaldo Cruz e Moinhos de Ventos (Porto Alegre).
PRÓ SAÚDE AVANÇA
Uma negociação envolvendo o universo discreto da Igreja Católica – sob o olhar das autoridades religiosas de Curitiba – envolveu a transferência da Santa Casa de Curitiba, e parte de seu patrimônio, para o Pró Saúde – Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, um dos braços civis da Ordem dos Padres Camilianos, tradicionais, no mundo, na prestação de serviços médicos. Os camilianos mantêm em São Paulo, as faculdades S.Camilo, voltadas para a área de saúde.
Sobre as condições e o valor das transações entre os Camilianos e a PUCPR, que vinha controlando a Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, nada se sabe. O que se sabe é que a Santa Casa, de saída, passou a servir aos funcionários públicos do Estado do Paraná. E também logo disponibilizou espaço na sua sede da Praça Rui Barbosa para a instalação de ambulatório do Hospital Cruz Vermelha.
