Criada em 1951 e considerada a principal revista de cinema do mundo, a francesa Cahiers du Cinéma passa por um momento conturbado.
Cahiers du Cinéma
Redação Portal IMPRENSA
Recentemente o título foi vendido por Richard Schlagman (atual dono do jornal Le Monde) a cerca de 20 acionistas, incluindo proprietários de canais de TV a cabo, banqueiros, empresários e produtores de filmes.
Há notícias de que os novos donos querem tornar a leitura dos artigos da revista mais acessível e planejam mudanças na linha editorial, até então caracterizada por resenhas de lançamentos do cinema críticas, profundas e repletas de reflexões socioculturais.
Em reação à nova linha editorial, os 15 funcionários da publicação, incluindo todos os jornalistas da redação, pediram demissão.
“Nos anos 50, a revista foi fundada para fazer guerra ao cinema francês. Agora, os novos proprietários querem fazer com que seja sobre resenhas ‘chiques’ e ‘cordiais’, é um absurdo absoluto”, disse à Agência France Presse Jean-Philippe Tessé, editor da Cahiers há 17 anos.
Nos últimos anos, as vendas da revista caíram, mas não de forma drástica como em outras publicações jornalísticas impressas. A média mensal passou de 15 mil cópias em 2015 para 12 mil em 2019.