
Sem corridas desde junho do ano passado, quando teve sua carta patente cassada pelo concessionário, Ministério da Agricultura, o Jockey Club do Paraná irá às urnas, dia 14, para a eleição, 2015-2018, da nova diretoria. Conta-me Luiz Renato Ribas o seguinte sobre o assunto que tem sido permeado por denúncias de fraudes, corrupção e atitudes inescrupulosas de certos sócios.
“Duas chapas estão inscritas, uma de oposição liderada pelo empresário e criador Paulo Irineu Pelanda; e a outra pelo ex-presidente (2006-2011) Roberto Haseman, responsável pelo maior escândalo nos 141 anos do JCP, isto é, a fraude na Assembleia que autorizou a venda de dois terrenos do Clube descoberta e denunciada somente dois anos depois.
O sócio Julio Rocha Xavier, falecido em 13 de dezembro de 1994, “foi” o 25º votante a ”assinar” a lista na “Assembleia”, em 2007, autorizando o JCP a vender criminosamente patrimônio por R$ 20 milhões de reais cujo desfecho, lamentavelmente, acabou, estranhamente, no Arquivo Morto. Lei, ora a lei.
A venda foi aprovada fraudulentamente com votos de nove associados falecidos e trinta que tiveram suas assinaturas falsificadas, comprovadas pela Delegacia do “Colarinho Branco”, o NURCE, encarregado de investigar a denuncia, em 2009, do advogado e sócio do Jockey Rodrigo Muniz Santos. “
NOVO ESCÂNDALO

Prossegue o jornalista e turfista Luiz Renato Ribas, colaborador da coluna: “No mesmo ano, novo escândalo e do mesmo candidato à presidência em 2015, Roberto Haseman que liderou a promoção da venda por R$ 70,00 de títulos da sociedade, sob a promessa do pagamento de mensalidades que foram instituídas em danoso e notório prejuízo ao Jockey. Mais de mil “doações” (nenhum titulo foi pago) foram feitas, com fins nitidamente eleitoreiros, que a prevalecer na próxima eleição, sábado 14, manterá o mesmo grupo anos no poder desde 2009.” E assinala Luiz Renato: “No decorrer desses últimos anos o Jockey Club do Paraná tem sido réu em diversos processos promovidos pelo Estado, Município e Polícia. Desses, obras irregulares construídas em terreno do hipódromo tombado pelo Patrimônio Cultural; imóveis construídos sem alvará e a falsificação de documentos objetivando a venda por R$ 15 milhões ao sócio majoritário do Jockey Plaza Shopping, que ainda não saiu da planta desde 2010. O inquérito policial investiga desde 2014 a autoria do crime.”
VETO DO MINISTÉRIO
A gravidade da situação no Jockey Club é amplamente detalhada mais adiante por Ribas: “Fatos que, acumulados, resultaram na renuncia de mais da metade da diretoria, presidida atualmente por Cresus Aurelio Wagner Camargo, vice que assumiu a presidência pelo falecimento do seu pai, Cresus Camargo, no ano passado. Desinteressada em promover corridas (apenas 4 reuniões em 2014) após diversas advertências por irregularidades sanitárias, entre outras, pelo Ministério da Agricultura que dificilmente autorizará a volta das corridas, a prevalecer o mesmo grupo na condução do Jockey, segundo revelam fontes de Brasília. Com o recebimento de R$ 200 mil reais mensais do futuro Shopping e intensa manutenção de eventos sociais e culturais nos espaços internos e externos do Clube, os diretores que restaram pouco têm interesse na volta das corridas que provocam grandes prejuízos financeiros.”
OPOSICIONISTAS

Termina seu depoimento Luiz Renato Ribas garantindo: “A chapa da oposição “Reconstruir”, liderada pelo Paulo Pelanda, mesmo diante de tantos problemas, inclusive com dívidas contábeis acima de R$ 20 milhões, apoiada por quase 100% dos sócios legítimos, montou uma plataforma, a médio e longo prazos, de recuperação do turfe paranaense cujo principal obstáculo é vencer os “Mil Votos Doados” pelo grupo que há quase um ano fechou as portas do hipódromo do Tarumã. Hoje os cavalos alojados na Vila Hípica, pouco mais de 400 (eram 1.200) se revezam entre o treinamento no Tarumã e as corridas em São Paulo e Rio.”
