sexta-feira, 17 julho, 2026
HomeMemorialUMA IDEIA SIMPLES PARA SALVAR O PINHEIRO-DO-PARANÁ

UMA IDEIA SIMPLES PARA SALVAR O PINHEIRO-DO-PARANÁ

Muitos agricultores, para não cumprirem a lei, cortam até os brotos da Araucária

Francisco Simeão: um projeto salvador; Flávio Zanette: inteligência preservacionista; Carlos Marassi: vídeo para engajar paranaenses

Cientistas calculam que o nosso pinheiro está na Terra há aproximadamente 300 milhões de anos, isto é, desde o tempo dos dinossauros. Em menos de 100 anos quase conseguimos levá-los à extinção.

Seu tronco reto produz madeira leve de boa qualidade e de fácil manuseio. Ideal para muitas aplicações, inclusive suas tábuas foram usadas na montagem das trincheiras da Primeira Guerra Mundial – foi nesta época que começou a devastação. Durante a década de 70, o período mais crítico, centenas de madeireiras se instalaram no Paraná e Santa Catarina.

 

CABEÇA DE VACA

Cabeça de Vaca, o explorador espanhol, ao passar pelos campos do Paraná rumo a Assunção, por volta de 1545, escreveu: os pinheiros são tão altos e largos que a luz do Sol não chega ao chão, nem se pode ver o céu. Em alguns trechos formam uma barreira quase intransponível à nossa tropa e cavalos.

O cientista e pesquisador da UFPR Flavio Zanette há décadas vem estudando a árvore símbolo do nosso estado. Começou reproduzindo-o em proveta e agora, já conhecendo bem sua genética, faz a reprodução por enxertia. Recolhe material em árvores de grande porte e farta produção de frutos e as enxerta em “cavalos” de pinheiros comuns. Cavalo é o nome que se dá à árvore que recebe os enxertos. Para conseguir tais mudas ele recorre material genético em duas árvores – uma em Caçador e outra em Lages, ambas em Santa Catarina. Flávio diz que os indivíduos grandes, que produzem muitas pinhas já quase não existem; contam-se nos dedos de uma mão os remanescentes.

 

CORTAM ATÉ OS BROTOS

Como ficou proibido, por força de lei, cortar pinheiros sob qualquer pretexto, agricultores para não terem problemas com a fiscalização ambiental cortam qualquer broto de pinheiro que encontram em suas terras. Resultado – em vez de proteger, a lei apressou ainda mais o tempo da extinção. O ideal é transformar o pinheiro em fonte de renda e é possível – até mais do que a soja, se plantados de forma correta em bom solo. Plantios em linha, de forma industrial, poderiam ser exploradas tanto na coleta dos frutos quanto a da madeira.

Que lei é essa, as exóticas: pinus e eucaliptos podem ter plantio industrial e ser explorados comercialmente e o nosso pinheiro não? Pergunta Flávio em sua luta há mais de 30 anos para corrigir esta anomalia jurídica.

 

PARCERIA EMPRESA/ACADEMIA

A parceria entre o meio acadêmico e o mundo empresarial vai tornar possível a salvação da espécie. Flavio Zanette (UFPR) e os pesquisadores da Embrapa aliaram-se aos empresários Francisco Simeão e o seu sócio Luiz Bonassin e juntos criaram o projeto Resgate do Pinheiro e já estão plantando 100 mil mudas no empreendimento Portal da Graciosa – uma espécie de cidade industrial particular em Piraquara – são 504 mil metros quadrados e vai gerar aproximadamente 10 mil empregos diretos.

Simeão é um daqueles empresários preocupados com as causas sociais como ideal de vida e não para buscar aplausos para sua empresa. É um dos empreendedores cívicos mais atuantes do nosso estado – apoiador de causas que geram empregos, escolas e ensino de qualidade, principalmente em Piraquara.

 

PORTAL DA GRACIOSA

O projeto Portal da Graciosa é um mega condomínio de empresas, a maioria internacionais, contempla a recuperação das matas ciliares, das nascentes locais e a formação de um pinheiral com 100 hectares. As mudas selecionadas pelos cientistas virão de 20 viveiros de árvores com bom DNA. 30 mil pinheiros já estão em fase de crescimento.

Governador Ratinho Junior: total apoio ao projeto

RATINHO JR. COMPROU IDEIA

A ideia foi levada ao governador Ratinho Junior que não só se entusiasmou com a causa como está incentivando o plantio de mais 10 milhões de novos pinheiros no Paraná, tudo com recursos privados. O governador acompanha de perto o projeto que muda a lei e permite o plantio industrial permitindo o uso econômico do pinheiro já está aprovado pela CCJ e foi apresentado pelos deputados Luiz Claudio Romanelli e Houssein Bacri, líder do governo na Alep.

 

O PINHÃO ENTRA DA GASTRONOMIA

No projeto de Francisco Simeão está também o incentivo do uso do fruto na culinária. Helena Menezes, ex-proprietária dos restaurantes Manjericão e Estrela da Terra, especialista em culinária com pinhão, autora de um livro Pinhão Indígena e a Culinária do Paraná tem lutado muito pelo uso do pinhão como alimento. No ano passado foi, por sua conta, realizar uma oficina do uso do pinhão na culinária caipira à um grupo de mulheres na localidade de Quatro Óleos, Município de Aiuruoca na Serra da Mantiqueira preparando-as para a tradicional Festa do Pinhão local.

 

VÍDEO EXPLICA A BOA CAUSA

O comunicador Carlos Marassi também entrou na causa e está produzindo um vídeo a pedido de Francisco Simeão falando do projeto e explicando as vantagens econômicas do plantio em larga escala, das cepas de alta qualidade, do projeto Resgate do Pinheiro e do Portal da Graciosa.

 

ZANETTI FALA DE ZANETTE

Eloi Zanetti um dos criadores do conceito da Fundação Boticário de Proteção à Natureza, ex-conselheiro de várias ONGs ambientais, foi colega de turma de Flávio Zanette (com E) no curso científico do Colégio Estadual no início da década de 60.

Ele conta que seu amigo Flávio era sempre o mais perguntador da turma, sentava na primeira fila, em frente à mesa do professor e só tirava notas altas. Era o tipo de estudante que na época chamávamos de CDF – hoje “nerd”. Durante muito tempo, troca informações com o Flávio sobre as pesquisas ele realiza.

Entusiasmado pela causa, Eloi, cujo avô paterno foi derrubador de pinheiros, no início do século passado em Porto União, hoje tenta amenizar essa herança familiar incentivando o plantio da espécie e a proteção das áreas ainda existentes. Faz isso na Serra da Mantiqueira onde vive hoje.

Leia Também

Leia Também