O dia 27 de janeiro de 1945 foi lembrado em todo o mundo como o da libertação do campo de concentração e extermínio de Auschwitz – Birkenau.

Por Antenor Demeterco Junior (*)
Posicionamentos políticos desvirtuadores da História, criaram certo ofuscamento às solenidades.
Vladimir Putin não foi convidado para as realizadas na Polônia, e Andrzej Duda, presidente do país, rejeitou o convite para a do memorial Yad Vashem em Israel.
Putin, com origens na polícia política comunista (a mesma do massacre de oficiais poloneses em Katin), bancando o historiador, aponta a infeliz Polônia como corresponsável pelo início da Segunda Guerra Mundial.
E, para tanto, relativizou o infame tratado de não agressão assinado pelos dois ministros do exterior, o nazista e o comunista.
DOIS PREDADORES
Hitler, com este acordo, teve a certeza de que não combateria em dois fronts, teria as costas livres para atacar a Polônia.
O mundo atônito assistiu a aliança dos dois predadores, e a dupla invasão e extinção da Polônia.
Este tratado foi comemorado no Krenlin pelo alemão Ribbentrop e por Stalin pessoalmente, quando este levantou um brinde ao comparsa de ocasião, e ao chefe da SS Heinrich Himmler (a informação está nos diários de Alfred Rosenberg, p. 301).
Este último, sabidamente, é o executor direto do Holocausto, a cujos cuidados estavam os campos da morte.

SÃO RESPONSÁVEIS
É uma verdade inarredável que poloneses tem responsabilidade no morticínio de judeus, sendo que o professor de Princeton Jan Tomasz Gross, em seu livro “Vizinhos: A Destruição da Comunidade Judaica em Jedwabne, Polônia”, afirma que “os poloneses mataram mais judeus do que os alemães durante a guerra” (o que, confesso, é difícil de acreditar).
O infame plano para remoção de judeus para a ilha de Madagascar foi discutido antes da guerra com os vizinhos alemães, em 1938 (cf. “A Última Guerra Europeia” de John Lukacz, p. 472).
POLÔNIA, UM PERIGO
E, como se não bastasse, judeus foram submetidos a um pogrom depois da guerra, quarenta mortos em Kielce, em 4 de julho de 1946.
A Polônia foi o país mais perigoso para os judeus após a guerra (cf. “Continente Selvagem” de Keith Lowe, p. 235).
A “Lei do Holocausto” de 2018, punitiva para quem afirma a corresponsabilidade de poloneses nestes crimes é um desonesto desafio a realidade.
STALIN ANIQUILADOR
Russos, poloneses e judeus são vítimas de dois estadistas gângsteres: Stalin aniquilou com seus expurgos bolchevistas judeus e não judeus, e inventou ocasiões para perseguições.
A Assembleia Geral da ONU, em 26 de janeiro de 2007 adotou a resolução 61/255 que condena a negação do Holocausto.
É uma pena que tenha sido necessária esta resolução: a História não pode se prestar a manipulações políticas.
Parece que a vodka está correndo solta na Europa Oriental…
(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, advogado; desembargador aposentado do TJPR; especialista em História do século 20.

