
Aroldo,
sobre a nota publicada pelo Nilson Monteiro – Porque os livros de autoajuda fazem sucesso no Brasil. Minha opinião:
Certa vez ao fazer uma palestra aos funcionários de uma grande rede de livrarias brasileira, em São Paulo, perguntei à turma: “Por que é que se vendem tantos livros de autoajuda no Brasil” Um rapaz respondeu: “Creio que por ser o brasileiro um povo com baixa autoestima, carente afetivo ele procure livros deste tipo.”
Lembrei-me do Moacyr Scliar e o seu livro Saturno nos Trópicos – a melancolia europeia chega ao Brasil, onde ele faz uma importante análise sobre o nosso povo e a sua melancolia disfarçada nas festas, nos carnavais e no futebol. Somos um povo melancólico, por isso precisamos deste tipo de ajuda.
HERANÇA MELANCÓLICA
Scliar credita este estado de alma às heranças judaicas (a melancolia chegou a ser chamada de “doença dos judeus” durante um certo tempo) e a passagem do povo judeu por Portugal cuja expressão máxima é o estilo musical “fado”, que quer dizer justamente “destino”. Aceitar o destino como ele se apresenta é mais uma herança religiosa ibérica.
Outro livro que aborda o tema baixa autoestima brasileira é o de Paulo Prado – Retrato do Brasil – um ensaio sobre a tristeza no Brasil. – há um capítulo inteiro sobre tristeza – ele observa que o sustentáculo da família brasileira, nos tempos coloniais era: pai soturno, mulher submissa e filhos aterrados.
Se formos procurar mais informações sobre esse assunto em trabalhos e pensamentos dos grandes mestres que analisaram o nosso comportamento encontraremos dezenas de exemplos iguais.
ELOI ZANETTI, escritor, publicitário, marquetólogo


