DOS LEITORES:
Senhor jornalista,
Quando os chineses compraram o controle do aplicativo “99”, pensei comigo mesmo: “enfim vamos ter uma alternativa internacional confiável à mixórdia de aplicativos de veículos facilitando a mobilidade urbana”.
Assim, por um tempo, deixei de utilizar o Uber, por exemplo, confiante de que teria um atendimento educado, até por fazer justiça, imaginei, à proverbial educação dos mandarins e associados tão comum antes de Mao e seguintes mandatários…
DECEPÇÃO
No sábado, dia 28, no entanto, tive uma prova exatamente o contrário, e que se estendeu até às 22 horas do mesmo dia. Começou assim: pedi um táxi para meu endereço na Sete de Setembro, ao começo da noite. Esperei em vão, nervoso, até descobrir que o carro mandado pelo “99” tinha ido parar na rua Estevão Bayão, 2000.
Tudo artimanha do GPS do ‘99”.
CANCELAMENTO
Diante dessa situação incompreensível – e que, na verdade, não ocorria pela primeira vez – cancelei a chamada. Segui por outras vias ao endereço pretendido.
A “desgraça” se completaria lá pelas 22 horas, quando, viajando pelo mesmo “99”, partido do Shopping Barigui, voltei para casa. Até aí tudo bem, não fosse a conta final apresentada pelo “99”, que me cobrava um adicional de R$ 5,90, que eu estaria devendo ao aplicativo por causa daquela corrida cancelada.
Cancelada por exclusiva responsabilidade do “99”, fato não reconhecido pelo aplicativo.
MEU CALVÁRIO
Como sou persistente e não desisto fácil, tentei reclamar por e.mail e pelo fone. Em vão, nada contemplava – nas alternativas propostas para queixas – meus verdadeiros motivos.
Fui adiante: achei o telefone 30 04 81 98, tentei conexão, por várias vezes, até conseguir uma resposta de voz feminina, pura gravação, sugerindo três alternativas para identificar meu problema.
Pedi o número 1, de usuário. Fique numa espera infernal. Taxa de humilhação a qual não posso me submeter.
TORTURA CHINESA
Desisti, por puro respeito a mim mesmo, abismado pelo fato de os chineses terem “aperfeiçoado” a maneira de exasperar usuários, o que é tão comum às empresas brasileiras que transferem responsabilidades de ouvir queixas a serviços telefônicos “inumanos”.
AULA DE PACIÊNCIA
No dia seguinte, domingo, às 11h30 min repeti meu calvário, ligando para o mesmo número de reclamações do “99”. De novo, tomei uma aula de paciência, esperando, em vão, pelo atendimento que não chegou. Desisti, novamente: era muita humilhação.
Assim, não me restou outra alternativa que não registrar minha frustração com a administração chinesa do “99”, reconhecendo, no entanto, que ela aperfeiçoa a tortura que outras empresas há anos impõem-se a quem precisa reclamar de seus serviços.
GH, Curitiba, cidadão indignado, que quer ficar no anonimato

