quarta-feira, 15 julho, 2026
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PARA PRESOS DA LAVA JATO, PINHAIS OFERECIA VANTAGENS…

“A elite na cadeia” retrata o dia a dia dos “Big Boss” do colarinho branco

Alberto Youssef: poder de convencimento; Japonês da Federal: humanidade; Nestor Cerveró

O livro “Elite na Cadeia”, um precioso trabalho de levantamento da Lava Jato em Curitiba, de 2014 até este ano, não traça retrato positivo das instalações do Complexo Médico de Pinhais. Faz exceção para o espaço com que a elite do colarinho branco foi abrigada, uma ala especial. Mas o resto, segundo o olhar treinado de Walter Nunes (Folha de São Paulo) fica mais ou menos no nível dos presídios cariocas, com roedores e insetos povoando celas infectadas. Na verdade, no mesmo nível da quase absoluta maioria dos nossos presídios, de Norte a Sul.

COMIDA SALGADA

De qualquer forma essa elite da malandragem de alto coturno capturada pela Lava Jato sempre considerou melhor estar recolhida em Pinhais — diz o jornalista -, porque lá tinha uma série de vantagens, como portas das celas abertas o dia todo, luz nas celas, direito a ter rádio e TV, além de biblioteca.

Os presos se queixavam muito da comida “salgada demais da Risotolândia”, gerando muitos protestos dos “colarinhos brancos”, quase todos acima dos 50 anos de idade e com problemas de hipertensão. Essas reclamações foram ouvidas pela direção do Complexo Penal.

NA POLÍCIA FEDERAL

As poucas celas, todas pequenas, da PF em Santa Quitéria, não conseguem abrigar mais que 17 presos. E muitos deles dormindo no chão, mantidos alguns critérios que beneficiavam, por decisão dos presos, os chefões.

Esses iam sempre para os beliches, até por serem, no geral, mais velhos. Os outros se amontoava no chão sobre ralos colchões.

sede da PF em Curitiba

NO TRONO INSEGURO

Com enormes dificuldades de locomoção e obeso, um preso, um dos ex-diretores da Petrobrás mais implicados no Petrolão, não conseguiu usar o “boi”, a privada “turca”, que exige capacidade de ficar de cócoras e flexibilidade nas juntas inferiores.

A prisão tinha uma cadeira, dessas para banho, que poderia ser usada para as necessidades. O arrogante prisioneiro não a aceitou.

Companheiros trouxeram-lhe uma último modelo, caríssima. Resultado: grande demais, não cabia no “boi”.

Voltaram ao uso da velha e carcomida cadeira do Complexo Penal.

ALBERT YOUSSEF

Habilidoso, o doleiro Alberto Youssef conseguiu, devagar e com persistência, conquistar a simpatia e desfrutar da companhia dos outros presos que, na quase totalidade, tinham sido delatados por ele à PF.

Youssef era tratado, desde o início por “filho…” para cima, e ficava numa ala totalmente separada do grosso dos lavajatistas. Por precaução dos policiais, que temiam pela vida do doleiro.

CERVERÓ INSULTADO

Se Youssef, um quase analfabeto que jamais escreve uma linha para não expor sua falta de escolaridade (a despeito do QI avantajado), conseguiu se enturmar. No entanto, Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobrás, foi vítima de tratamento cruel. Os prisioneiros faziam bullyng com ele, tendo como motivo um olho seu, desalinhado em relação ao outro, o que o torna meio fantasmagórico.

Nunes, o jornalista, admite que Cerveró também se comportava com toda antipatia, sem o mínimo interesse em conviver bem com o seu próximo.

Momentos de humanidade são registrados, no entanto. Como aquele em que o Japonês da Federal abre exceção, na condição de carcereiro, para deixar que duas filhas e a mulher de um dos presos fiquem com ele, numa visita, indo além dos regulamentos. E também aponta um agente da PF, com formação em Psicologia, cuidando da saúde psicológica de um dos detentos à beira do suicídio…

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