
Por Antenor Demeterco Junior (*)
A pujança econômica da China, driblando o comunismo oficial, e mantendo o seu arcabouço totalitário, ou seja, a ditadura ferrenha do partido único, impressiona o mundo.
Abriga o país 56 etnias, lembrando a extinta e esfacelada União Soviética, que só manteve sua unidade enquanto sob o porrete da nomenclatura.
A Região Autônoma de Xinjiang, habitada por mulçumanos do grupo Uiguir, exige independência e a formação do Turquestão do Leste.
MUITAS MORTES
Neste empenho já morreram pelo menos 150 pessoas.
Os acontecimentos em Hong Kong (já com 19 semanas) evidenciam que quem conheceu liberdade e democracia não aceita a camisa de força asiática que lhe é imposta.
O recadaço governamental já foi dado aos insatisfeitos estudantes: o jornal oficial Chine Daily advertiu que tentativas de separatismos serão massacradas.
O governante Xi Jinping não deixou, literalmente, por menos: quem tentar atividades separatistas acabará com o corpo esmagado e os ossos quebrados.
CARLOS LACERDA
Carlos Lacerda, o conhecido político contestador brasileiro, lançou, há tempos, a seguinte premissa: se algum dia o comunismo for destruído na China continental, será resultado da vitalidade do individualismo (cf.in “Lacerda a virtude da polêmica”, p.124, de Lucas Berlanza).
Quando o outrora perseguido pelo regime Deng Xiaoping (1904-1997) voltou ao poder, em 22 de julho de 1977, foi enfático: “Enriqueçam”.
Deu início, assim, ao individualismo em seu país, e em uma fajuta focagem marxista, pode-se concluir que as novas relações de produção daí surgidas explodirão a superestrutura totalitária vigente.
Tudo isto, e mais as pretensões libertárias dos separatistas (que atingem um terço do território Chinês) de grupos da Região Autônoma da Mongólia interior, do Tibet e da ilha de Taiwan levarão a impasses futuros no momento em que o relho governamental recolher-se.
FUTURO INCERTO
A ameaça brutal de Xi Jinping traz embutida sua gigantesca preocupação pelo futuro.
Não tem ele mais condições de usar os métodos terapêuticos comuns universalmente à ideologia que professa, sempre condenados pela civilização.
Esmagar corpos e quebrar ossos de milhões de seres humanos o transformariam em membro da execrável galeria de grandes criminosos históricos, integrada por Mao, Stalin, Hitler e outros de menor espectro.
Liberdade econômica e liberdade política são irmãs gêmeas, não há como fugir da dupla: Xi terá que aguentar as consequências do processo em curso em seu reino, não adianta postergar o inevitável pela violência.
(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, advogado, desembargador aposentado do TJPR, especialista em História do Século 20.

