terça-feira, 14 julho, 2026
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O MUNDO POR TERRA

Viagem de carro aos lugares mais gélidos e inóspitos do planeta
Com USD 50 diários, casal visitou 170 países, uma volta ao mundo, com um Land Rover, em 900 dias.

No gelo

O casal Roy Rudnick e Michelle Weiss, ele da área de marketing, ela arquiteta, decidiu em 2007 empreender uma viagem Volta ao Mundo em Land Rover. Na ocasião visitaram 170 países, percorreram 100 mil km em 900 dias e contabilizaram despesa média diária de 50 dólares. Tudo incluso, diesel, mecânica e translado em avião quando necessário – o carro ia de navio. Terminada a aventura contaram tudo em um livro, edição própria que já vendeu 15 mil exemplares, inclusive no idioma inglês.

 

RUMO AO PARALELO 70

Com a experiência adquirida na primeira viagem, em 2013 o espírito aventureiro bateu de novo e partiram para uma nova viagem rumo para o Hemisfério Norte com o objetivo de chegar onde terminam as estradas, isto é, passar por cima do Paralelo 70.

Saíram de São Bento do Sul, SC, onde moram, com o carro preparado para enfrentar o rigoroso frio polar e foram até onde termina a última estrada do Alasca, aquela que aparece na série de TV – Caminheiros do Gelo. Voltaram para Seattle nos Estados Unidos, de lá despacharam o carro para a Coreia do Sul – porta de entrada para o Leste Russo –; subiram pela Sibéria, visitando as antigas vilas Gulags, os campos de concentração da Era Stalin. Seguiram pelo leito congelado do rio Lena por mais de 1000 km até chegar ao final da estrada siberiana.

Temperaturas beirando os 60 graus Celsius negativos quase o tempo inteiro.

UM POVO ESQUECIDO

A terminação “istão” deriva da língua persa e quer dizer “lugar de morada”. Assim sendo, Cazaquistão significa “lugar de morada ou território dos cazaques”; Quirguistão, “lugar de morada ou território dos quirguizes” e assim por diante. Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Uzbequistão, Turcomenistão e Afeganistão.

 

VISTOS ESPECIAIS

Entraram no Afeganistão com vistos especiais em uma zona que não estava sob o poder dos guerrilheiros. Historicamente a região era muito cobiçada por situar-se num ponto estratégico entre a Europa e a Ásia Oriental, sendo que ali passava uma das mais importantes partes da Rota da Seda. No caminho foram surpreendidos pela abordagem de três exércitos ao mesmo tempo – o russo, o afegão e o chinês. Enquanto os oficiais russos questionavam suas presenças ali, os chineses se divertiam fazendo selfies como casal.

 

COM O POVO PAMIR

E, em determinado momento deixaram o carro para seguir a pé com ajuda de um guia e duas mulas carregando a bagagem foram até o povo Pamir, isolados política e geograficamente do mundo as margens do lago Chaqmaqtin.

Roy enfatiza que de todos os lugares que passaram, quase todos os países do mundo, foi na Ásia Central que foram recebidos com mais cordialidade e simpatia. Convites para almoços e chás entre os locais eram frequentes e, mesmo sem a mínima possibilidade de um entendimento de idiomas a comunicação se processava.

 

VOLTA AO OCIDENTE

Mais um longo trecho e voltaram ao Ocidente e, na Noruega foram a mais um ponto do Paralelo 70. De volta ao Brasil, há um ano preparam com a ajuda do escritor Eloi Zanetti um novo livro contando suas deliciosas aventuras. A edição já com 400 páginas e será lançada em abril do ano que vem.

(texto de Eloi Zanetti, escritor, homem de marketing e publicitário)

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