segunda-feira, 13 julho, 2026
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MILHARES NA ELEIÇÃO DO CURITIBANO & ALGUMAS MEMÓRIAS CLUBÍSTICAS

Joaquim Miró quer voltar a presidir o clube; Gilmar Calixto expõe biografia também enraizada na cidade.

Joaquim Miró com Maria Cristina

Joaquim Miró, tudo indica, pode estar correndo como favorito para novamente presidir o Clube Curitibana, que tem eleição da nova diretoria marcada para este domingo, dia 20. Milhares têm direito de ir às urnas.

Ele presidiu o clube de 2010 a 2013.

Há outros dois candidatos à Presidência, um deles o médico e ex-professor da PUCPR, Gilmar Calixto, que me é apresentado por um amigo. Não sou sócio do “mais tradicional”, como se referia ao clube meu amigo Dino Almeida, explico de saída.

Calixto diz que isso não importa, que o importante é relacionar-se com “boa gente, como você”.

Suas palavras me conquistam. Fico achando que Miró terá um forte concorrente.

Calixto tem também base sólida na cidade, com familiares seus tendo ocupado posições de relevo no TJPR e o pai, Cecim Calixto, sido um dos fundadores do Banco Bamerindus do Brasil com Avelino Vieira. Não esquecer que o candidato, clínico geral e geriatra, atua no Marcelino Champagnat.

 

TORCIDA DE MIRÓ

Miró tem torcida ardorosa, nomes do colunismo social como os sempre valiosos Wilson de Araújo Bueno e Isa Zilli, gente muito antenada em personagens e realidades do Paraná de sempre. Isso sem citar a multidão de outros amigos de todas as idades e estilos de vida que torcem por Joaquim.

Embora a torcida de amigos por Miró – e a boa herança que deixou ao presidir o Curitibano – é bom lembrar: depois de 2018, com a vitória do improvável Jair Bolsonaro, nem pitonisas nem análises científicas de tendências podem agora apostar tudo no “mais cotado”.

 

ADVOGADO

Advogado solidamente estabelecido, herdeiro de uma linhagem importante na genealogia paranaense, Joaquim Miró transita pelo Curitibano “como elemento agregador, impregnado que é de um imã que promove unidade”, diz um antigo presidente do Conselho do Curitibano, que me pede anonimato.

“É melhor assim, ficar na sombra”, diz a fonte.

 

À DISPOSIÇÃO

Com a Chapa “Sou Curitibano”, Miró coloca-se à disposição de uma comunidade clubística única, rica herdeira de tradições como as geradas pelo barão do Serro Azul. A seu favor, tem mais do que a simpatia pessoal: pode exibir obra definitiva nos anos em que presidiu o CC. Uma delas, a consolidação do Curitibano/Concórdia, comandando um processo de absorção de outra antiga sociedade (de origem germânica) sem ranhuras, e ampliando serviços aos associados. E adicionando imensurável patrimônio material e cultural ao Curitibano.

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MAIS FORTES QUE NUNCA

 

Quem imaginava que os clubes sociais seriam simplesmente vencidos pelos confortos dos prédios modernos com suas áreas de serviço e lazer, ou mesmo pela presença aglutinadora das academias, está enganado. Certo é que boa parte de tradicionais usuários de clubes prefere optar pelas facilidades dos seus condomínios. Mas ainda é incontável o número dos que diariamente dão vida ao Graciosa e ao Curitibano. Isso acontece com clubes que prestam bons serviços a seus associados.

No Graciosa e o Curitibano, seus associados não os dispensam, fazendo deles – em muitos casos – uma espécie de segunda residência. Afinal, têm tudo à mão, do lazer ao esporte, às atividades culturais, o convívio com os amigos.

 

DESAPARECIDOS

Curitiba, no entanto, é bom lembrar, foi vendo desaparecerem espaços clubísticos que eram partes indissociáveis da cidade. É o caso, por exemplo, da Sociedade Rio Branco, casarão enorme, majestoso, histórico, na Rua Visconde do Rio Branco com Carlos de Carvalho, da qual se tem apenas a fachada preservada. Foi substituído por um espigão.

 

NOVO ENDEREÇO

Sociedade inicialmente aglutinadora da etnia alemã, a Rio Branco hoje habita espaço limitado e sem o brilho de outrora, no Norte de Curitiba. O mesmo acontece com a antiga Sociedade Duque de Caxias, que foi um dos pontos referenciais de Curitiba, na Rua José Loureiro. Ganhou projeção nacional por acolher os antológicos Chás de Engenharia, anos 40/50.

Hoje Duque funciona também no Bacacheri, oferecendo fartas atividades esportivas.

 

VELHA THALIA

Há poucos anos, houve movimento de empreendedores planejando manter a fachada da Sociedade Thalia e lá erguer um monumental arranha-céu de apartamentos e escritórios.

As limitações burocráticas e as dificuldades legais para operar a transformação levaram água abaixo o projeto.

Se a Thalia vive apenas de seu passado de brilho – como foi no tempo dirigido do José Vieira Sibut, anos 1960 -, outro clube do mesmo perfil de frequentadores, o Círculo Militar do Paraná resiste, consegue manter as contas em dia e até fazer investimentos em inovações. Seu foco maior continua sendo o lado dos esportes.

 

VIDAS EXPOSTAS

A vida clubística de Curitiba era tão importante que, até o final dos 1980, o então importante jornal Gazeta do Povo e outros jornais da cidade mantinham colunas especializadas no tema. Assim ficava-se sabendo tudo também de clubes como o Santa Mônica, o Três Marias, a Juventus.

Mário Maranhão, cardiologista famoso, foi repórter de clubes, no extinto Diário do Paraná, assim como Léo Kriger.

Dessas reportagens descobriam-se partes de outras realidades da vida clubística da cidade. Partes que ia além da chamada alta sociedade.

 

CASO JUVENTUS

A Juventus é um caso à parte. Seu espaço precioso no Batel foi tragado pelas chamas. Hoje dá lugar a um supermercado. O que restou do clube foi mudado para a periferia.

Sei que a Juventus, nascida para atender os poloneses e seus descendentes, já pensa em conseguir de volta uma das suas sedes (hoje é um prédio comercial), na Carlos de Carvalho. Enquanto isso não acontece, a sede nova, bonita, pequena e acolhedora, vale uma visita, como prova de que clubes resistem às ações da urbanização acelerada.

Um traço de resistência é a colorida revista Polska, que a Juventus mantém circulando. Vale sua leitura.

Em jantar no Hai-Yo, do Hotel Rayon, encontro de confraternização que teve como figuras centrais Joaquim Miró e Maria Cristina (Fotos de Matheus de la Palm)

Joaquim Miró com Maria Cristina ladeados por Antonio Carlos Prieto Junior e Fabio Helm, vice-presidente da chapa Sou Curitibano e presidente da Ala Jovem do Clube Curitibano
Colunista Iza Zilli e Joaquim Miró
Liamir Hauer e Wilson de Araujo Bueno
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