O projeto de lei 0399/15, de autoria do deputado Fábio Mitidieri (PSD-SE), prevê a regulamentação do uso e da comercialização dos medicamentos derivados da planta. Para o relator, decisão deve ser urgente.

A Câmara de Deputados instalou na quarta-feira (09), a comissão para discutir o Projeto de Lei 0399/2015 que regulamenta o uso dos derivados da cannabis como medicamento. O projeto de autoria do deputado Fábio Mitidieri (PSD-SE) trata da legislação para a liberação da comercialização de medicamentos à base da planta. O presidente da comissão é o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).
O relator, deputado Luciano Ducci, ex-prefeito de Curitiba, PSB/PR, defende a urgência da matéria já que a demanda é alta e o acesso é difícil e precário. “A regulamentação dos medicamentos à base de cannabis é urgente e vamos trabalhar para que o modelo do Brasil seja eficiente, seguro, que a regulamentação daqui seja referência no mundo e traga as respostas que as famílias e os pacientes buscam”, comenta o relator.
PROTOCOLO
Hoje, a Anvisa tem um protocolo que deve ser seguido para a importação de medicamentos à base da cannabis, a demanda se restringe ao composto cannabidiol, um dos princípios ativos da planta. As importações são onerosas para a maioria das famílias necessitadas da cannabis.

OS CADASTRADOS
A Anvisa tem cadastrados, desde 2015, 7.786 pacientes e 12.918 pedidos de importação. Ano a ano, a agência registra aumento no número de novos pedidos, o que demonstra que o interesse e a prescrição destes medicamentos também estão em alta (ver tabela 1).
SÃO 13 MILHÕES
A Agência estima que cerca de 13 milhões de pessoas sofram de alguma enfermidade para a qual a cannabis é indicada. Desde 2015, o remédio Mevatyl tem a licença da ANVISA para ser comercializado no Brasil. Porém o alto custo, tanto da importação quanto do medicamento, dificulta o acesso à terapia.
NO DIA 15
A Comissão vai se reunir novamente na terça-feira (15/10), a partir das 11h. Na próxima reunião, o relator vai apresentar o plano de trabalho para o início das discussões. A comissão deve receber a contribuição da ANVISA, de associações que representam pacientes, instituições interessadas e membros da sociedade civil.
Evolução dos pedidos (tabela 1):
| Total de pacientes cadastrados na Anvisa para importar cannabidiol, desde 2015 (ano a ano – por paciente): | |||||||
| 2015 | 2016 | 2017 | 2018 | 2019 | (3º tri) | Total Geral | |
| Número de pacientes | 826 | 471 | 1392 | 2371 | 2726 | 7786 | |
| Total de autorizações solicitadas de importação de cannabidiol, desde 2015 (ano a ano -por solicitação): | |||||||
| 2015 | 2016 | 2017 | 2018 | 2019 | (3º tri) | Total Geral | |
| Solicitações de CBD | 902 | 901 | 2181 | 3613 | 5321 | 12918 | |
Medicamentos à base dos principais compostos ativos da cannabis, cannabidiol (CBD) e Tetraidrocanabinol (THC), indicações: (tabela 2)
| CBD THC |
| CONVULSÕES DOR CRÔNICA |
| AUTISMO NÁUSEA INDUZIDA POR QUIMIO |
| ANSIEDADE ANOREXIA |
| PSICOSE ESPASTICIDADE MUSCULAR |
| INFLAMAÇÕES (AMBOS SÃO RECOMENDÁVEIS) INFLAMAÇÕES |
| NEUROPROTEÇÃO |

