Convidado do Vaticano, o pesquisador encarna experiência de uma comunidade pentecostal – multiforme e não vertical – consolidada como o maior grupo protestante no Brasil. E que experimenta desde os 1980 por grande aggiornamento (acomodação).
Moab Cesar Carvalho Costa
Doutor em História pela Unisinos, RS, o assembleiano Moab Cesar Carvalho Costa tem livro referencial analisando o aggiornamento do pentecostalismo brasileiro, sua acomodação diante de novos tempos. Amplo conhecedor da realidade amazônica, lê-lo é convite a entender o trabalho de “formiguinha” feito pelos velhos crente das assembleias de Deus no Norte e Nordeste difíceis do começo do século 20.
ACOMODAÇÕES
Tendo acabado de ler “Aggiornamento do Pentecostalismo Brasileiro” (Editora Recriar, 2019), satisfiz minha curiosidade intelectual, a de entender o que teria motivado a sabedoria duas vezes milenar da Igreja Católica em convidar esse professor da História da Universidade Estadual do Maranhão a partilhar e contribuir até dia 27 deste mês no Sínodo da Amazônia, em Roma.
SERIA IMPOSSÍVEL
Há 10 anos pareceria impossível um nome proeminente das assembleias de Deus do Brasil estar participando, como convidado especial do Vaticano do Sínodo dos Bispos da Amazônia, ao lado de bispos e de outros dignitários católicos e, também surpresa, ao lado igualmente de pastores evangélicos brasileiros.
IMPORTANTE
Moab não é uma liderança qualquer. Seu peso está em sua presença de alto nível, como pesquisador histórico, em instituições como a Rede Latino-Americana de Estudos Pentecostais. Seu mais recente trabalho de pesquisa na área do tema histórico-religioso é o livro “Aggiornamento do Pentecostalismo Brasileiro”. Faz um longo percurso, observando desde a chegada dos pioneiros suecos Daniel Berg e Gunnard Vingren, ao longo e fértil processo de conversão de populações de migrantes nordestinos, abandonados pela sorte, que foram para o Norte e todo o Brasil, em busca de nova vida material. E também aberta a uma nova religião.
SUECO-NORDESTINA
As lutas dos dois suecos pela integridade da fé, às vezes em francas refregas com Samuel Nystrom, outro patrício, e que se imporia como “dono do pedaço assembleiano” são partes de um livro que tem de ser sorvido num amplo mergulho antropológico. O maior deles, a firmeza com que Moab César Carvalho Costa mostra quão importante foi o autoritarismo sueco-nordestino importante para a aventura pentecostal brasileira, país onde o pentecostalismo tem a maior adesão em todo mundo.