É a terceira obra pública (R$ 90 milhões) que a empreiteira, desnudada pela Lava Jato, consegue depois das condenações judiciais.

A terceira licitação de obras públicas vencida pela Construtora Odebrecht, depois de sua grande queda sob acusações e condenações na Lava Jato – e série de delações premiadas, como as do próprio Norberto Odebrecht – foi vencida no Paraná.
Trata-se da obra no valor de R$ 90 milhões para a duplicação da Rodovia PR 092, que liga Curitiba a Almirante Tamandaré, conforme anúncio oficial feito pelo DER-PR, e divulgado pelo Governo na terça-feira,1.
COM FURNAS
Em 2018, a Odebrecht fechou contrato com Furnas para transformar a Usina Termelétrica de Santa Cruz (RJ), obra que custará R$ 600 milhões.
A empresa, que responde a investigações judiciais em países latino-americanos, por ter corrompido autoridades em troca de obras, teve seu terceiro contrato de obra pública com o Governo do Pará: vai construir o BRT (transporte rápido de ônibus, conforme o modelo iniciado por Jaime Lerner em Curitiba nos anos 1970) de Belém, contrato no valor de R$ 400 milhões.
SETOR DE PROPINAS
Capitulando diante de tantas provas contra si, a Odebrecht chegou a surpreendente exposição de suas mazelas e de como agia para conseguir obras públicas. Chegou a revelar possuir um departamento especializado em propinas, dirigido por uma senhora, velha funcionária, que capitulou diante da Lava Jato. Ela explicou todo o surpreendente modus operandi da empreiteira baiana de expressão internacional.
GATO ESCALDADO
Hoje, sabe-se, a Odebrecht – “como gato escaldado, que tem medo de água quente”, observa um deputado paranaense -, calca seu trabalho sob um severo olhar do seu Departamento de Compliance.
A compliance não admite nada que possa sugerir irregularidade na captação de obras pela empresa.
INFORMAÇÕES OFICIAIS
Segundo a Agência Paraná de Notícias, do Governo do Estado, “Serão investidos R$ 90,6 milhões. Obras começam com a construção de vias marginais e devem afetar pouco o trânsito durante esta etapa.
As obras de duplicação da PR-092, a Rodovia dos Minérios, vão começar na primeira quinzena de outubro. Serão investidos R$ 90,6 milhões para construir novas pistas, vias marginais, pontes, viadutos, passarela, calçadas e ciclovias no trecho entre Curitiba e Almirante Tamandaré, em uma extensão de 4,74 quilômetros.”
EM DOIS ANOS
Prossegue o noticiário oficial:
“O contrato entre o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR) e a empresa que venceu a licitação já foi assinado. O prazo de execução é de dois anos.
“Os moradores de Almirante Tamandaré sabem muito bem o tamanho dos problemas que essa obra enfrentou para sair do papel.
“A gestão do governador Ratinho Júnior está realizando uma obra aguardada há décadas, e que vai ficar pronta ainda neste governo” afirma o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex. “O trânsito entre Almirante Tamandaré e Curitiba vai ficar muito melhor e mais seguro, beneficiando condutores e habitantes da região”, diz.
OITO METROS DE LARGURA
A obra começa com a terraplenagem e pavimentação das vias marginais, que terão oito metros de largura e sentido único. Após sua conclusão, elas irão receber o tráfego da via principal, que será fechada para a duplicação. Somente nos pontos sem marginais será mantida aberta uma pista simples durante as obras.
CICLOVIAS E CALÇADAS
O objetivo é garantir que os condutores possam utilizar a rodovia durante os serviços com o mínimo de interferência possível. Todos os locais de trabalho estarão sinalizados, orientando os motoristas e seguindo as normas de segurança vigentes.
Juntamente com as marginais, serão construídas calçadas para pedestres e ciclovia em ambos os lados da pista, com a ciclovia sendo implantada também nos trechos sem marginal. Além disso, a obra inclui uma passarela para pedestres no Km 10 + 930 metros, local identificado como travessia de estudantes e ligação entre bairros.
PISTA CENTRAL
A duplicação começa um pouco antes da ponte sobre o Rio Barigui, próxima ao entroncamento com a PR-418, o Contorno Norte de Curitiba.
Na pista central será feita a terraplenagem para implantar as faixas novas e a demolição do pavimento atual. Cada sentido da rodovia terá duas faixas de 3,6 metros cada e acostamentos de ambos os lados. Uma barreira de concreto de 60 cm de largura vai dividir os dois sentidos da rodovia.
“Na via central da duplicação vamos implantar o pavimento rígido, constituído por placas de concreto de cimento com espessura de 27 centímetros. Esta é a solução que irá melhor atender o volume de tráfego da pista, bem como as características do solo da região”, explica o diretor geral do DER/PR, Fernando Furiatti.
(No site da Agência Estadual de Notícias-PR o leitor terá detalhes da obra).
