O Ministro da Educação do governo Bolsonaro tem seus atos focados com interesse superdimensionado pela imprensa em geral.

Antenor Demeterco Jr. (*)
Não há surpresa por este zelo, que pretende colocá-lo como incompetente para o cargo, ante seus lapsos de escrita.
Na América Latina, e no Brasil em particular, não estamos acostumados com a centro direita na chefia de cargos públicos, de algumas décadas para cá.
ESQUERDA DOMINANTE
A centro esquerda ou a esquerda radical têm sido dominantes em certas áreas, basta lembrar a intelectualidade cooptada por Getúlio Vargas e seu governo semifascista na década de 30 (Cândido Portinari, Oscar Niemeyer, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade, Roberto Burle-Marx, etc.), e as redações de jornais mesmo durante a repressão do governo militar.
É interessante notar que a direita não revolucionária hoje reinante no Brasil, inteligentemente abriu mão de um dos ingredientes mais sinistros de seu arsenal, o antissemitismo.
No recente confronto Brasil-França, ou melhor, Macron-Bolsonaro, o Ministro da Educação pôs a luz na chaga histórica daquele país europeu.
Ou seja, o colaboracionismo francês com os nazistas, após a fácil derrota do país diante da Alemanha triunfante de 1940.

DETESTAM LEMBRAR
O Ministro Abraham Weintraub lembrou a existência de algo que os franceses não querem lembrar: os alemães montaram a divisão de voluntários SS Charlemagne (criada em 1944) que atuou, inclusive, na Berlim cercada pelos russos, em 1945.
Seus mais de 13.000 soldados atuaram sob comando de um tal Edgard Puaud.
Seu heroísmo (do lado errado) foi inócuo, principalmente na defesa do bunker de Adolf Hitler, restando com as baixas sofridas apenas 60 de seus integrantes.
Macron chamou irresponsavelmente o presidente brasileiro de mentiroso, o que não provocou manifestações solidárias dignas de nota a favor do mesmo.
FESTIVAL DE CRÍTICAS
Mas, quando um gaiato comparou a beleza e a idade das primeiras damas dos dois países, houve um festival de críticas contra o mandatário brasileiro.
A ideologia, ao invés do cavalheirismo, conduziu os acontecimentos.
Voltando aos voluntários da divisão SS francesa, é lamentável que o empenho demonstrado por estes em Berlim – 1945, não tenha sido o mesmo de seus patrícios na defesa de Paris – 1940.
Macron, por alguma razão tirou o time no episódio, provavelmente ocupado com seus gravíssimos problemas internos.
Curitiba, 20 de setembro de 2019.
(*) ANTENOR DEMETERCO JR., advogado, desembargador aposentado do TJPR, estudioso da história do século 20.

