Mário Celso Petraglia é um ser basicamente definido, dizem todos os que o conhecem. “Impossível imaginá-lo sem ele, pelo menos, insinuar seu potencial beligerante na defesa de suas teses”, diz um antigo conselheiro do Athletico Paranaense. É um “louco de meta certa”, crava sobre o presidente do Athletico.
O personagem, filho de uruguaios descendentes de italianos, natural de Cruzeiro do Sul, RS, vindo criança para Curitiba, está na capa e em várias páginas da mais importante revista de temas gerais que ainda existem no Paraná, a Ideias. O publisher, Fábio Campana, é um sabido amigo de Petraglia, e discreto torcedor do Athletico.
CONTRA DOGMAS
O título da ampla reportagem de capa matéria, que encerra também um pouco retrato psicológico do personagem, não poderia ser mais incisivo: – “Petraglia Enfrenta o Sistema”.
Ao longo de sua vida, em Curitiba, como empresário bem-sucedido, braço forte, em certa época, da Inepar, fez uma multidão de amigos. E mais que isso: tem devotos, almas integralmente votadas à religião da qual Mário Celso é sumo sacerdote. “In aeternum”, é o que tudo indica.
DANDO A VIDA
Esses religiosos atleticanos sugerem até poder dar a vida por ele e aos seus planos para o chamado Furação.
E agora têm mais um motivo para isso: o Athletico, dono da modelar Arena (a da Baixada), emparelha-a com avanços tecnológicos, ao lançar o aplicativo Digi+). Trata-se de um banco digital, desses que, para tristeza dos bancos tradicionais e suas taxas escorchantes, vão se impondo no país.
TEM TAMBÉM OPOSITORES
Na verdade, reconheça-se que há igualmente uma multidão que diz gatos e sapatos de Petraglia.
Ele, testemunham amigos, “limita-se a ver a caravana passar”.
Em resposta até à raquítica oposição dentro do Furação, Mário Celso responde com ações concretas. Sem jamais perder o tom muitas vezes irônico.
No momento, explica a revista Ideias, Petraglia concentra-se numa nova grande batalha: quer o futebol profissional do país modificado, abrindo-se para a vida empresarial e aceitando mesmo capital estrangeiros. Para ele, é preciso mesmo dar um basta à hegemonia de grandes clubes, que a tudo ditam na pátria das chuteiras.
MODELO MANCHESTER
Seu modelo de clube de futebol é o Manchester, da Inglaterra, que saiu do quase zero para impor-se no mundo. É o que procura para seu clube.
Estrategista que não faz muita questão de ser simpático, é o homem de resultados. Para tanto, escolhe parceiros dos quais não abre mão. Um deles, o presidente do Conselho Administrativo do Atlético, o médico Luiz Sallim Emed a quem a revista chama de “figura complementar à de Petraglia”.
A escolha do diplomático médico Sallim é mais uma prova da argúcia de Mário Celso: cercou-se de alguém apaziguador, que consegue ser unanimidade no hospital que dirige, “onde reinam cabeças muito difíceis de religiosas católicas”, opina à coluna um ex-gestor do hospital.