Registrar é preciso: neste sábado, 10 de agosto, amigos estarão comemorando os aniversários de dois jornalistas leoninos veteranos, guardadores de raros lances da vida política paranaense, da qual foram observadores e, ao mesmo tempo, também atores de excepcional importância: Airton Ravaglio Cordeiro e Fábio Campana.
Os dois setentões foram personagens singulares da política paranaense, especialmente no século 20.
Airton fez sólido caminho a partir do grupo de Ney Braga e, depois, como vereador em Curitiba, deputado estadual e em 1988, como constituinte da República.
Campana notabilizou-se por exercer o papel de influenciador de governadores como Roberto Requião e Álvaro Dias, dos quais foi secretário de Estado e conselheiro, e com os quais depois romperia.
NA VELHA GAZETA
Foi como colunista da antiga Gazeta do Povo, assinando coluna política diária, sob as bênçãos do patriarca Francisco da Cunha Pereira (in memoriam) que Campana se consolidou como analista da vida política paranaense. Tem lugar assegurado também no restrito universo dos bons poetas curitibano.
COM SAUL RAIZ
Airton Cordeiro, hábil articulador, deslanchou a partir da Câmara de Curitiba, anos 1970, como líder do histórico prefeito Saul Raiz, e depois na liderança de Ney Braga na ALEP.
Na Constituinte, em Brasília, deixou um legado especial: a emenda que estabelece o direito a que se guarde o sigilo da fonte, salvaguarda básica para o exercício jornalístico, particularmente.
A carreira jornalística de Airton esteve umbilicalmente ligada ao futebol, e nele foi introduzido, adolescente, por Maurício Fruet. O rádio e a televisão foram seus veículos preferenciais de trabalho, como narrador e analista esportivo, numa carreira de globetrotter ao cobrir, mundo afora, várias copas do Mundo e partidas futebolísticas em todos os continentes.